O laboratório de bioquímica genética, do Centro de Neurociências de Coimbra, que estuda citopatias mitocondriais, doenças raras que afetam a energia das células do corpo humano, está a criar iniciativas para conseguir subsistir à crise e aos cortes de financiamento de que tem sido alvo.

Uma doença que não tem cura e que afeta uma em cada duas mil pessoas. Depois de já terem adquirido uma máquina de análises em crowdfunding, realizam um concerto solidário no Conservatório de Coimbra, para reunirem fundos que permitam continuar com as investigações.

O concerto no conservatório de Coimbra serve para alertar a população e possíveis mecenas para a vida difícil, quer dos doentes com citopatias mitocondriais, quer do próprio laboratório de bioquímica genética.

A doença que afeta sobretudo crianças é explicada por Manuela Grazina, responsável pelo laboratório. Dentro de cada célula temos um organelo, a mitocondria, uma espécie de central energética e que, em alguns doentes, não funcionam bem, e os órgãos afetados deixam de funcionar bem. A responsável alerta que há ainda exemplos mais graves que afetam o coração, o fígado ou o cérebro e que dão doenças devastadoras.

Por exemplo, quando essa alta de energia se reflete nas células dos músculos já deveríamos ser muito felizes pelo facto de pestanejarmos, porque há muitas crianças que não conseguem abrir os olhos, porque essas fábricas de energia não funcionam.

O laboratório de bioquímica genética de Coimbra completa 20 anos a 6 de março. A instituição era financiada pelo Centro onde se insere e pelo pagamento que os hospitais faziam das análises que pediam. Agora, a música é outra, e em tempos de crise, há que investigar até novas formas de financiamento. Tivemos uma iniciativa inédita em ciência, que foi o recorrer ao crowdfunding para comprar um equipamento para analisar as amostras dos doentes no laboratório. Felizmente conseguimos, conta.

O laboratório já conseguiu o apoio de privados, mas a responsável garante que é preciso mais e sobretudo um mecenas com poder financeiro, até porque diz: não vou desistir até que as minhas mitocondrias funcionarem não irei deixar a luta. Ainda estou à espera que o José Mourinho ou o Cristiano Ronaldo venham ter connosco.

O laboratório de bioquímica genética funciona na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Manuela Graniza é voluntária desde que criou o laboratório em 1995, mas está preocupada em pagar os ordenados aos vários técnicos superiores de saúde que ali trabalham.

Fonte: TSF