De acordo com pesquisadores americanos, um novo dispositivo é capaz de diagnosticar com precisão e de forma barata o câncer.

Conhecido como D3, ele foi projetado para ser usado apenas por médicos especialistas e pode ser adicionado a um smartphone. O aparelho parece ter apresentado resultados tão precisos quanto os testes mais desenvolvidos e caros de uso corrente, porém, a um preço de apenas US$ 1,80 (cerca de R$ 5,60) por paciente.

O estudo, divulgado na Proceedings of the National Academy of Sciences, revista científica norte-americana, afirma que a tecnologia pode ser útil principalmente em áreas remotas.

— Acreditamos que a plataforma que desenvolvemos fornece recursos essenciais a um custo extraordinariamente baixo — afirma o co-autor da pesquisa Cesar Castro, médico do Massachusetts General Hospital Cancer Center and Center for Systems Biology.

D3 é a sigla para "diagnóstico difração digital" que apresenta um sistema com um módulo de imagem com uma luz de LED alimentada por bateria, que se encaixa em um smartphone padrão que grava dados de imagens de alta resolução com sua câmera. Com um maior campo de visão do que a microscopia tradicional, o sistema D3 é capaz de gravar dados em mais do que 100 mil células a partir de uma amostra de sangue ou tecido numa única imagem.

O processo envolve a adição de microesferas de uma amostra de sangue ou tecido e essas microesferas se ligam a moléculas relacionadas ao câncer. A amostra é, em seguida, carregada no módulo de imagem D3. Esses dados podem ser rapidamente enviados, através de um serviço de armazenamento em nuvem seguro e criptografado, para um servidor de processamento.

Então, conforme a pesquisa, a presença de moléculas específicas, que mostram se o câncer está presente, pode ser detectada por meio da análise dos padrões de difração gerados pelas microesferas. Uma das vantagens é a de que os resultados podem ser enviados ao médicos em minutos ou horas, ao invés de dias ou semanas.

Um teste piloto do sistema usando amostras de biópsia do colo do útero de 25 mulheres que tiveram exames de papanicolau anormais, mostrou um nível de precisão que combinava com o padrão atual da indústria para testes de diagnóstico, segundo o estudo.

Além disso, outro teste usou o D3 para analisar amostras de biópsia de linfonodo por agulha fina e diferenciou com precisão quatro pacientes cujo diagnóstico de linfoma foi confirmado por patologia convencional de outros quatro com linfadenomegalia benigna. Ainda assim, mais pesquisas são necessárias para verificar as conclusões preliminares do novo dispositivo.

Mas o pesquisador Ralph Weissleder, diretor do Centro de MGH para Biologia de Sistemas, espera que o dispositivo quebre muitas das barreiras que existem no diagnóstico do câncer, particularmente em áreas remotas ou pobres.

— Aproveitando o aumento da presença da tecnologia de telefonia móvel em todo o mundo, o sistema deve permitir a triagem rápida dos casos suspeitos ou de alto risco, o que poderia ajudar a compensar os atrasos causados pelos serviços limitados de patologia nessas regiões e reduzir a necessidade do retorno dos pacientes os cuidados de acompanhamento, o que é um desafio para eles — afirma Weissleder.

Fonte: Zero Hora