O uso indiscriminado de antimicrobiano (antibiótico) propicia a resistência bacteriana. E isso tem se tornado um problema mundial, pois existem bactérias com grandes capacidades patogênicas e nós não temos mais medicamentos no mercado que sejam eficientes contra esses microrganismos.

Os antibióticos podem ser classificados quanto à sua ação, podendo ser bacteriostáticos quando inibe apenas sua replicação, seu aumento ou pode ser bactericida quando causa a morte do microrganismo. E também são classificadas em classes, que nos dizem onde ocorre a ação do fármaco (princípio ativo do remédio), como por exemplo, as carbacefem que atuam diretamente na inibição da parede celular bacteriana.

Assim como os outros seres, os microrganismos têm tendência em evoluir e com frequência, as bactérias utilizam mais de uma estratégia para evitar a ação dos antimicrobianos. E essa resistência a determinado antimicrobiano pode ser de duas formas: intrínseca, quando a bactéria tem essa resistência inata ou adquirida, quando ela adquire esse mecanismo com outras bactérias.

Há quase 30 anos não era feita uma descoberta uma nova classe de antibiótico. Este, é um procedimento que leva tempo de estudo. Mesmo havendo uma descoberta de medicamento, eles levam em média, 10 anos até chegarem ao mercado. No entanto, em janeiro de 2015, cientistas anunciaram uma descoberta de uma nova molécula que representa uma nova classe de antibiótico. Esta descoberta representa um grande avanço, uma vez que, atualmente é considerado preocupante o fato de lidar com bactérias nas quais nossos medicamentos já não têm mais ação efetiva.

A nova substância é produzida por uma bactéria do solo e foi batizada de Teixobactina Os testes para identificar essa substância foram conduzidos em camundongos em laboratório. Foram introduzidas as formas mais resistentes das bactérias causadoras da tuberculose e em seguida, foi tratado com essa substância, no qual não permitiu que essas bactérias adquirissem resistência e as eliminou do organismo dos camundongos

Como foi descoberta essa bactéria?  Foi um processo bem demorado, onde houve a análise de cerca de 10 mil amostras de microrganismos, contando com o desenvolvimento de uma nova tecnologia para conseguir essa façanha:

Foi criado um chip com microdivisões;

Em cada espaço foi cultivado uma linhagem pura de bactérias, sendo incubado no próprio ambiente do micróbio;

Após a proliferação dos micróbios, os mesmo eram cobertos com um filme impregnado com uma bactéria patogênica resistente;

Caso esse micróbio conseguisse matar a bactéria inserida, elas deixariam uma marca, e assim, os cientistas isolariam essa amostra do solo.

Após varias tentativas, foi descoberto a bactéria Elephteria terrae, que produzia a teixobactina, substância com grande propriedade antimicrobiano.

A empresa que descobriu a substância, estima que deve levar os testes em humanos dentro de dois anos. Ocorrendo tudo certo, a droga estaria disponível no mercado por volta do fim da década.

A substância teixobactina ataca a fabricação de lipídios, moléculas de fundamental importância na constituição da parede celular das bactérias. Assim como essa substância, nos temos uma classe chamada de vancomicina. Os fármacos dessa classe, também atacam a produção dos lipídios das bactérias. E essa classe, foi a última que as bactérias conseguiram criar resistência. Foram em média, três décadas, até surgirem os primeiros resistentes. Partindo dessa premissa, devemos considerar que essa nova classe levará muito tempo até surgirem os primeiros microrganismos resistentes.

Atualmente, as bactérias resistentes receberam o status de crise global pela OMS, e o surgimento de novas drogas, é crucial.

Fonte: Diario de biologia