Estudo realizado na Unesp, em São Paulo, revela uso positivo da saliva do artrópode

O seu cachorro pode estar carregando um parasita muito importante no combate ao câncer: o carrapato. Uma equipe de pesquisadores, liderados pela professora de biologia Maria Izabel Camargo-Mathias, da Unesp, conseguiu conter o crescimento de tumores através de um extrato da glândula salivar de carrapatos fêmeas. O estudo foi publicado no fim de 2014.

Os testes realizados em ratos comprovam a eficácia da substância. Células canceríginas eram injetadas na musculatura dos animais e, depois, era aplicado o extrato da saliva dos carrapatos. Após três semanas notou-se que, comparado a outros roedores que não passaram pelo tratamento, as células tumorais estavam controladas.

A ideia de usar a a glândula salivar dos carrapatos no combate ao câncer não veio ‘do nada’. "Existem mais de 400 propriedades na saliva dos carrapatos. São substâncias com vários potenciais, como anti-coagulantes e anti-inflamatórios. Resolvemos então aplicar em células cancerígenas", explica a GALILEU a coordenadora da pesquisa, Maria Izabel, que estuda carrapatos há mais de dez anos.

"É uma substância capaz de conter a divisão celular e o crescimento tumoral"

Prof.ª Maria IzabelAinda não se sabe qual substância presente nas glândulas salivares dos carrapatos da espécia Rhipicephalus sanguineus é responsável pela inibição especificamente. Ainda serão necessários mais estudos para saber a composição bioquímica desses extratos.

A princípio, os testes foram feitos em tumores musculares e resultaram em uma inibição de quase 70% do crescimento tumoral. Recentemente a equipe passou a estudar os efeitos da substância no fígado, pulmão e rim, e constatou que o extrato não afeta o sistema fisiológico dos indivíduos. "Não é uma substância anti-cancerígena, por que não mata a célula cancerígena. Mas é uma substância capaz de conter a divisão e crescimento tumoral", reitera Maria Izabel.

Fonte: Revista galileu.globo