Pequenas quantidades de pó de ouro poderiam ajudar os pacientes que possuem câncer cerebral. As partículas funcionariam levando a medicação até as células doentes, destruindo-as.

O tratamento de ponta é projetado para tratar glioblastomas - os tumores mais comuns e mais perigosos do cérebro.

Cerca de 4.000 pessoas são diagnosticados com a doença, na Inglaterra, anualmente. O crescimento rápido do glioblastoma torna o tratamento do tumor muito difícil. A maioria morre poucos meses depois de ser diagnosticado e apenas seis em cada 100 sobrevivem por até cinco anos. O efeito da quimioterapia, muitas vezes, é temporário.

A última pesquisa sugere que o ouro pode ser usado para fabricar os medicamentos mais eficazes contra a doença.

O pesquisador Sir Mark Welland, professor da faculdade do St John’s College, na Universidade de Cambridge, levou peças de ouro pequenas o suficiente que coubessem facilmente no interior das células cancerosas, atribuindo a cisplatina - droga contra o câncer - nas partículas.

Uma vez que as partículas de ouro entraram nas células tumorais, ela levou a liberação de elétrons do ouro - partículas com carga negativa que danificam as células cancerosas - o que torna o medicamento fácil e efetivo para matar as células.

Em experiências de laboratório em células retiradas de tumores humanos, a combinação de ouro-droga era muito mais eficaz do que qualquer um deles sozinho. Pode-se dizer que o processo eliminou o câncer.

"Nós não conseguimos encontrar células vivas. O importante é que não encontramos qualquer vestígio após 20 dias", disse Sir Mark.

Em contrapartida, as células desativadas com cisplatina, isoladas, se recuperaram depois de apenas alguns dias, segundo dados do jornal da Royal Society of Chemistry.

Sir Mark disse que é muito cedo para descrever a combinação de ouro com as drogas como um método comprovado de cura, mas o tratamento "parece ser extremamente eficaz no laboratório".

O fato de que os experimentos foram realizados em células retiradas de pacientes aumenta as chances do trabalho de terapia. No entanto, a necessidade de garantir que o tratamento seja seguro e eficaz significa que estima-se pelo menos mais sete anos de pesquisas para uso generalizado.

O ouro foi utilizado porque não é tóxico e fácil de trabalhar. Nas quantidades necessárias em um tratamento de drogas, ele não seria caro. "O volume de ouro usado não custa quase nada. Você sequer seria capaz de ver o ouro usado em um tratamento", relatou o professor.

Ele acrescentou que o tratamento baseado na tática de ‘cavalo de Tróia’ - infiltrando-se em células para destruí-las -, também poderia ser usado para combater outros tipos de câncer.

Fonte: Jornal ciencia