A maleta básica de um perito criminal custa R$ 20 mil. No Estado de São Paulo são 290. Dentro da mala, há reagentes de diversos tipos, que identificam, por exemplo, o sangue. Óculos coloridos para enxergar os tipos de vestígios deixados no local. O de cor laranja dá para ver unhas, cabelos, sangue, materiais biológicos de forma geral. O amarelo matérias explosivos, após um tiro de arma de fogo, por exemplo. Com o vermelho, os agentes conseguem observar combustíveis, cosmético. Além destes objetos, há lanternas e trenas eletrônicas para medição.

Conheça alguns dos instrumentos usados pelo perito

Depois do levantamento de vestígios, é necessário traçar o "vínculo" entre o fato e os "atores daquele ambiente", explica Adílson Pereira, diretor do IC-SP.

— Com esses materiais biológicos [sangue, saliva, cabelo] devidamente tratados é possível estabelecer de quem eles vieram. O laboratório elabora a análise, volta para o perito, ele junta tudo e forma um laudo. Essa peça técnica científica vai entrar no processo e é quase irrefutável.

Entre os diversos laboratórios, há o de DNA, onde é possível fazer o sequenciamento genético e as comparações. No local onde são feitas essas análises, a temperatura é regulada em torno dos 20ºC e só permitido a entrada de pessoas que trabalham no laboratório devidamente vestidas. Um interruptor de luzes ultravioletas é acionado quando o expediente termina para "matar" qualquer tipo de proteína que fique no ambiente e possa de alguma maneira contaminar o local. O sequenciador de DNA. Ele é quem exibe a sequência genética do material analisado. á no laboratório de análise de documentos, é possível descobrir se uma nota de dinheiro é falsa, se um contrato foi modificado ou assinado de forma indevida, entre outros. Uma máquina que consegue levantar informações deste tipo custa R$ 1 milhão.

Uma das principais dificuldades do trabalho, segundo Pereira, são os fatores que modificam os vestígios. Ele conta que a "contaminação do ambiente" ou das pessoas que "conhecem criminalística e mudam o local" atrasam o trabalho.

Problemas de saúde: Lidar com cenas monstruosas muitas vezes ainda provocam "perturbação" psicológica no profissional, conta Filho. Ele mesmo diz que já se sentiu mal ao ver casos de corpos em putrefação.

— Trabalhava com isso numa fase em que estava morando sozinho. Eu acordava e pensava "se eu morrer aqui, vão me achar da mesma forma", porque quando passam dias depois da morte, o corpo fica enorme. Aliás, é muito difícil ver uma pessoa esquartejada. Um corpo sem cabeça, uma cabeça sem corpo. Ter que juntar os pedaços para fotografar. Nessa época, procurei um psiquiatra e tomei remédio.

Fonte: R7