Embora os pesquisadores tenham feito avanços notáveis no estudo do coma e de outros distúrbios da consciência, ainda se sabe pouco sobre o estado de quem entra em coma. Os recursos disponíveis para determinar o prognóstico de um paciente em coma são limitados - e estão longe de se basear numa ciência exata. Agora, os pesquisadores acreditam ter encontrado uma medição que ajudará os médicos a avaliar se um paciente vai acordar ou não de um coma.

"O coma é uma das condições mais temidas", comenta o Dr. Romer Geocadin, autor de um novo estudo sobre o assunto e professor de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins.

Geocadin afirma: "Quando pacientes não reagem após uma lesão cerebral traumática, um acidente vascular cerebral ou tumor, durante décadas não havia um indicador realmente confiável de quais iriam acordar".

Na verdade, existem indicadores mais confiáveis de quais pacientes não o farão, explicam os pesquisadores. "Era uma via de mão única", explica Geocadin.

Isso deu aos pesquisadores uma ideia: usando um dos exames mais conhecidos para resultados desfavoráveis, eles decidiram inverter os testes.

Em 1986, o Dr. Allan Ropper descobriu que uma alteração no cérebro a partir da posição habitual da linha mediana está associada à perda de consciência e resultados desfavoráveis.

Geocadin e o principal autor, Robert Kowalski, especialista em lesão medular e lesão cerebral traumática, decidiram verificar se os pacientes cujos cérebro se deslocou para trás na direção da linha mediana tiveram um prognóstico melhor. "Ninguém nunca tinha analisado o inverso; foi o que fizemos ", comenta Kowalski. Segundo Bryan Young, professor emérito do departamento de neurologia da Universidade Ocidental de Ontário, Canadá, a abordagem de Ropper é "simples, mas brilhante."

Usando dados compilados ao longo de um ano de novos pacientes em coma do Hospital Johns Hopkins, os pesquisadores não só descobriram uma sólida associação entre o desvio da simetria cerebral normal e a saída do coma, como também puderam medir em que ponto essa associação poderia indicar um prognóstico favorável (6 milímetros).

"A mensagem é considerar mais de um fator ao tentar fornecer um prognóstico para a família ou uma abordagem terapêutica", afirma Kowalski. "Quando um paciente entra em coma - e os clínicos podem considerar este e outros fatores na determinação - quais são as chances de que vai acordar e qual é o melhor tratamento?", diz Kowalski.

Fonte: Discovery