A Grã-Bretanha é o primeiro país do mundo a permitir a criação de embriões humanos a partir do DNA de três pessoas — uma técnica que impede que as mães transmitam enfermidades degenerativas genéticas aos bebês. O projeto foi aprovado pela Câmara dos Lordes, após ter recebido o aval da Câmara dos Comuns por 382 votos contra 128 oposições.

O método envolve a alteração de um óvulo ou embrião, antes de ser transferido para uma mulher — o que até agora era proibido por lei — com o objetivo de evitar a transmissão de defeitos na mitocôndria da mãe, o que pode causar doenças como a distrofia muscular, problemas no coração, insuficiência renal ou hepática, e fraqueza muscular grave. Após a alteração, os cientistas removem o núcleo do óvulo da mãe e inserem em um óvulo doado, e o embrião resultante adquire o DNA parental mais o DNA mitocondrial do doador.

— Este resultado vai mudar a vida de muitas mulheres que sofrem de doença mitocondrial, dando-lhes a oportunidade maravilhosa de ter filhos saudáveis, removendo situação familiar e reduzindo o número de pessoas afetadas por seus efeitos devastadores —, disse Robert Meadowcroft, diretor-executivo da campanha sobre distrofia muscular, em um comunicado.

Os críticos argumentam que a nova técnica é invasiva e dizem que as alterações no embrião serão transmitidas para as gerações futuras. O Centro de Genética e Sociedade chamou a decisão de "erro histórico" e declarou que isso "transformar as crianças em experimentos biológicos e fornecer esperanças altamente exageradas as mulheres em desvantagem".

No ano passado, o Food and Drug Administration (FDA), órgão americano que regulamenta alimentos e medicamentos, realizou uma reunião para discutir a técnica e cientistas advertiram que pode demorar décadas para determinar sua segurança. Especialistas dizem que a técnica foi usada em outros lugares, como China e Japão, mas sem regulamentação.

Fonte: O Globo