Apesar de assintomático, o acúmulo de gordura no fígado deve ser levado a sério, pois as complicações podem causar quadros crônicos e graves. Entenda

Dentre os fatores de risco em adultos, estão a obesidade, o sedentarismo,
o diabetes tipo 2 e a dislipidemia (elevação dos níveis de colesterol e triglicérides)

Colesterol alto, diabetes, doenças cardiovasculares. Como se não bastassem esses motivos para você fugir de uma vida de excessos, ainda existe o risco de o seu fígado ser danificado. E a esteatose hepática está à espreita. Mais conhecida como doença do fígado gorduroso, ela afeta cerca de 20% da população brasileira.

No entanto, tal porcentagem consiste em uma mera estimativa. A prática clínica mostra que o número de pessoas que sofrem do problema pode ser ainda maior. "Não existem estudos populacionais específicos em grande escala no Brasil. Mas a experiência de centros de check-up revela que a incidência pode chegar a 40%", conta Marcio Dias de Almeida, coordenador médico da equipe de transplante de fígado do Hospital Israelita Albert Einstein (SP).

O primeiro degrau

O mais preocupante nessa situação é o fato de a maioria dessas pessoas não terem consciência de que estão doentes. Isso acontece devido ao acúmulo de gordura no fígado, a princípio, não resultar em sinais aparentes. "A doença gordurosa hepática é assintomática, mas pode, em alguns casos, provocar cansaço no corpo e desconforto na parte superior direita do abdome", explica Regina Gomes, médica hepatologista do Hospital Bandeirantes (SP).

Embora seja uma condição benigna, a esteatose hepática tem os seus perigos. Ela pode ser o primeiro degrau de uma escada de patologias que termina na paralisação das atividades do fígado. Sabe-se que os portadores dos estágios 1 e 2 dessa doença geralmente não estão sujeitos a sintomas ou complicações. Esses pacientes – que, felizmente, são a maioria – poderão viver normalmente se tiverem acompanhamento médico adequado.

Já os de estágio 3 deverão ser mais cautelosos com seus hábitos de vida, pois estão propensos a desenvolver uma esteato-hepatite ou hepatite gordurosa (inflamação das células do fígado). Esse quadro evolui para uma cirrose hepática em 20% dos casos. "A cirrose é o estágio mais avançado e grave, pois indica uma perda importante da função hepática. Ela também representa uma chance maior de o paciente desenvolver câncer de fígado", alerta a nutróloga e endocrinologista Haládia Pessotti de Campos Simião (SP).

"Quando há sintomas mais relevantes, estes são relativos à cirrose, como a ascite (presença de grandes quantidades de água na barriga), sangramentos digestivos e outros", completa Almeida. Ou seja: alguns indivíduos só descobrem que há algo de errado com o fígado quando já é tarde demais.

Obesidade em foco

Segundo o médico Almeida, a doença do fígado gorduroso possui múltiplas causas. Dentre os fatores de risco para o seu desenvolvimento em adultos, estão a obesidade, o sedentarismo, o diabetes mellitus tipo 2 e a dislipidemia (elevação dos níveis de colesterol e triglicérides). É por isso que é comum especialistas associarem a enfermidade a uma dieta fundamentada em gorduras saturadas e carboidratos, além de pobre em fibras. "De todas as causas, a principal é a obesidade. Porém, mesmo pacientes que se apresentam magros ou com sobrepeso, mas com acúmulo de gordura na região abdominal, podem apresentar esteatose hepática", esclarece Haládia.

"Outra causa muito comum é o excesso de bebida alcoólica, que pode desencadear o quadro mesmo em pacientes magros. Hepatites virais em atividade (tipo C e B) também ocasionam o problema. "Crianças pequenas manifestam a doença quando estão sofrendo de alguma desordem metabólica, enquanto que os adolescentes seguem o mesmo padrão dos adultos quanto às condições desencadeantes. Fatores genéticos certamente influenciam no surgimento do quadro. Todavia, eles ainda não foram desvendados pela medicina.

Fonte: Revista viva saude