Uma equipe de pesquisadores liderada pela Universidade de Columbia, nos EUA, desenvolveu um acessório que, conectado a um smartphone, é capaz de diagnosticar simultaneamente a presença do vírus HIV e da bactéria causadora da sífilis a partir de uma picada no dedo. Em apenas 15 minutos, o dispositivo replica, pela primeira vez, funções semelhantes às de um teste de sangue de laboratório.

O equipamento realiza um método conhecido como ensaio imunossorvente ligado por enzimas (Elisa), que permite a detecção de anticorpos específicos. No dispositivo desenvolvido em Columbia, os anticorpos seriam anti-HIV e dois que combatem a evolução da sífilis.

O estudo foi publicado na edição da revista Science Translational Medicine. Segundo o chefe da pesquisa, Samuel Sia, professor de Engenharia Biomédica de Columbia, o acessório se conecta facilmente a um smartphone ou a um computador e foi testado recentemente em 96 gestantes em Ruanda. Realizaram-se exames em clínicas de prevenção de transmissão de doenças de mãe para filho.

A equipe desenvolveu um formato em que o usuário ativa mecanicamente, com uma câmera de pressão, uma série de reagentes pré-carregados em fitas descartáveis, possibilitando a identificação de zonas específicas de uma doença. Desta maneira, o dispositivo replica todas as funções mecânicas, ópticas e eletrônicas de um exame convencional.

Para evitar o uso da bateria do celular, a transmissão de dados do exame é feita a partir de conectores de áudio, que são padronizados.

Foram necessários apenas 30 minutos para treinar os profissionais de saúde de Ruanda que realizaram os primeiros testes. Praticamente todos os pacientes (97%) aprovaram o acessório. Entre suas principais vantagens estão a rapidez da transmissão dos resultados e a capacidade de diagnosticar mais de uma doença.

Preço estimado em US$ 34

De acordo com Sia, o equipamento poderia fazer o número de mortes relacionadas à sífilis cair a 10% do atual. — Mostramos que um imunoensaio de qualidade de laboratório pode ser executado com um acessório de smartphones — celebra Sia. — A integração de um sistema microfluídico com os recentes avanços eletrônicos pode levar diagnóstico a quase toda a população com acesso a esses celulares. Esse recurso pode transformar a maneira como os serviços de saúde são entregues em todo o mundo.

Sia estima que o desenvolvimento do acessório custará US$ 34, valor muito inferior aos US$ 18.450 necessários para a fabricação de um equipamento de laboratório.

A equipe de Columbia já havia desenvolvido pesquisas com diagnósticos miniaturizados. Com o novo estudo, o cientista pretende facilitar a detecção de doenças sexualmente transmissíveis.

— Nós sabemos que o diagnóstico precoce e o tratamento de mulheres grávidas podem reduzir significativamente as consequências adversas para as mães e seus bebês — observa. — Estamos realmente empolgados com os próximos passos desse projeto, para trazer este produto para o mercado de países em desenvolvimento.

Fonte: O Globo