Candidíase, também chamada de monilíase, é o nome que se dá à infecção fúngica causada pelas espécies do fungo Candida. A forma mais comum de candidíase é a infecção vaginal, chamada monilíase vaginal ou vulvovaginite por cândida.

As infecções por este fungo, porém, não se restringem à região genital feminina, podendo também haver acometimento de outras áreas, como pele, boca, esôfago, vias urinárias e pênis, só para ficarmos em alguns exemplos.

Existem várias espécies de Candida e muitas delas são capazes de provocar quadros de micose no seres humanos. Entretanto, na maioria das vezes que o paciente desenvolve alguma infecção pelo fungo Candida, a espécie responsável é a Candida albicans.

A candidíase não costuma provocar quadros graves em pessoas saudáveis e com sistema imunológico funcionante. Nestes, a candidíase de pele, boca ou vaginal são as formas mais comuns.Todavia, em idosos, pacientes com doenças graves ou indivíduos imunossuprimidos, o fungo Candida pode atingir órgãos internos e provocar infecção generalizada e grave.

O que é a Candida?

Como referido anteriormente, a espécie mais comum do fungo Candida é a Candida albicans, considerada um membro normal da flora gastrointestinal e geniturinária dos seres humanos. A maioria das pessoas são colonizadas por Candida e nenhum sintoma apresentam. Porém, qualquer desequilíbrio na flora local ou no estado imunológico do paciente pode levar esse fungo a se proliferar e invadir tecidos, causando, assim, a doença candidíase.

Portanto, ter Candida é diferente de ter candidíase. Até 50% das pessoas saudáveis têm o fungo Candida na cavidade oral sem que isso represente qualquer problema. A Candida albicans é um germe oportunista, pois vive silenciosamente em nosso corpo durante anos, somente à espera de uma queda no nosso sistema imunológico para nos atacar.

Para reforçar o conceito, podemos comparar a colonização da vagina pela Candida com a colonização da pele por bactérias. Todo mundo consegue entender que o fato de termos milhões e milhões de bactérias na nossa pele não significa que tenhamos alguma doença na mesma. Para ter doença não basta ter os germes, é preciso que eles ataquem o nosso organismo.

Como surge a candidíase?

A candidíase não surge somente em pessoas com sistema imunológico fraco. Outros fatores podem levar ao aparecimento da mesma. Uma exemplo clássico é o uso de antibióticos por tempo prolongado. Os antibióticos matam as bactérias, mas poupam os fungos. Deste modo, ele reduz a competição por alimentos, facilitando a vida dos fungos que colonizam o organismo. A proliferação de Candida na vagina é uma consequência da diminuição da flora normal de bactérias na vagina, levando à candidíase vaginal.

A candidíase oral, conhecida como sapinho ou monilíase oral, também pode ocorrer em pessoas sem doenças do sistema imunológico, principalmente em crianças pequenas. Cabe ressaltar que neste caso, a candidíase é restrita e provoca poucos sintomas.

Quando a candidíase oral é mais severa, como no exemplo da foto acima, isso nos leva a pensar em um estado de imunossupressão (baixa imunidade).

Doentes imunossuprimidos, como nos pacientes com AIDS, câncer, uso de quimioterapia, transplantes de órgãos, uso crônico de corticoides, doentes graves internados em UTIs, etc., podem apresentar infecção fúngica generalizada, chamada de candidemia.

Nos pacientes imunossuprimidos, a cândida pode causar, por exemplo:

– Pneumonia.

– Endocardite (infecção das válvulas do coração).

– Meningite.

– Infecção urinária.

– Esofagite (infecção do esôfago).

– Peritonite (infecção do peritônio).

– Artrite infecciosa.

Mais dos 90% dos pacientes HIV positivo, com critérios para AIDS, possuem alguma infeção por Candida, normalmente candidíase oral e de esôfago. Feitas as devidas explicações, voltemos aos pacientes imunocompetentes (sem alterações do sistema imunológico).

Candidíase vaginal

Aos 25 anos de idade metade das mulheres já apresentaram pelo menos um episódio de vaginite por cândida. A infecção é comum em mulheres em idade fértil, tornando-se menos frequente após a menopausa. A Candida albicans é responsável por até 90% dos casos de monilíase vaginal.

A vulvovaginite por cândida é situação comum, mas alguns fatores aumentam ainda mais o risco do seu aparecimento:

Uso de antibióticos - pelo menos 1/3 dos casos de candidíase vaginal ocorrem após um curso de antibiótico.

Diabetes - o diabetes é um conhecido fator de risco para candidíase, principalmente se a glicemia (taxa de glicose) não estiver sendo bem controlada.

Níveis elevados de estrogênio - uso de anticoncepcionais com doses elevadas de estrogênio, reposição hormonal ou gravidez favorecem o aparecimento da candidíase vaginal. Como já mencionado, a incidência de candidíase cai após a menopausa.

Comportamento sexual - A candidíase vulvovaginal não é considerada uma DST (doença sexualmente transmissível), uma vez que o fungo Candida faz parte da flora natural de germes da vagina e pode ocorrer em mulheres que nunca tiveram relações sexuais. Isto não significa, porém, que a transmissão sexual de Candida não possa ocorrer. Há sabidamente um aumento na frequência de monilíase vaginal na maioria das mulheres após começarem atividade sexual regular. Parceiros de mulheres infectadas são quatro vezes mais propensos a serem colonizados pela Candida do que parceiros de mulheres não infectadas. Os episódios de candidíase vaginal parecem estar mais relacionados à prática de sexo oral.

Genética - algumas mulheres apresentam alterações genéticas e da mucosa vaginal que predispõem a infecção fúngica, independente de outros fatores de risco. Algumas mulheres têm Candida sem nenhum motivo aparente.

Imunossupressão - como já explicado anteriormente, a imunossupressão favorece não só a candidíase vaginal, como também a candidíase em outros órgãos do corpo. O uso de drogas imunossupressoras, como os corticoides é um importante fator de risco.

Sintomas da candidíase vaginal

O sintoma mais típico da candidíase vaginal é a coceira na região genital. Uma sensação de ardência ou queimação na área ao redor da vulva também é bastante comum. Esta dor tende a se agravar no período pré-menstrual.

Outro sinal frequentemente presente é o corrimento vaginal, mas a sua ausência não descarta o diagnóstico de candidíase. O corrimento vaginal da candidíase, quando presente, é, em geral, brancacento, sem odor e de pequeno volume.

Dor durante o ato sexual é um sintoma habitual, pois a região da vagina e da vulva costumam estar muito irritadas. Ao exame da região genital, é possível notar que ambas apresentam-se inchadas e com grande vermelhidão.

Como a disúria (ardência ao urinar) também é um sintoma que costuma ocorrer na vulvovaginite por Candida, é comum haver alguma confusão com um quadro de infecção urinária (cistite). A diferença está na localização da dor. Na candidíase, a dor é mais localizada na vulva, enquanto que na cistite o incômodo é na saída da uretra. Em geral, cistite não vem acompanhada de corrimento vaginal, portanto, a presença deste costuma facilitar a definição do diagnóstico.

O diagnóstico de certeza da candidíase vaginal é feito com o exame ginecológico, através de coleta da secreção vaginal e identificação do fungo Candida pelo microscópio.

Tratamento da candidíase vaginal

O tratamento da candidíase só costuma estar indicado nos casos sintomáticos. Mulheres assintomáticas e parceiros sexuais não precisam ser tratados (este último caso ainda é controverso).

O tratamento é simples e consiste em uma dose oral de antifúngico, como o Fluconazol por via oral em dose única, ou creme vaginal de fluconazol, que deve ser indicado pelo ginecologista.

Em pacientes com imunossupressão ou infecção mais grave, o tratamento deve ser por, pelo menos, 7 dias.

Candidíase no pênis

A candidíase nos homens não é tão comum como nas mulheres, mas pode ocorrer em determinadas situações. Os sintomas mais comuns da candidíase no pênis são vermelhidão, inchaço e dor na glande. Placas brancas, semelhantes às que ocorrem na língua nos casos de sapinho, também são comuns. As lesões podem causar intensa coceira e frequentemente há ardência durante o ou após o ato sexual.

Candidíase oral

Exceto em crianças, a candidíase oral costuma indicar algum grau de imunossupressão ou distúrbio na flora de germes normal da boca. Entre os fatores de risco estão os diabetes, uso de dentadura, doenças que causam diminuição na salivação (xerostomia) e imunossupressão, seja por doenças, drogas ou quimioterapia.

A monilíase oral associada à candidíase do esôfago é sempre um sinal de imunossupressão e deve ser investigada, caso a causa ainda não seja conhecida.

Sintomas da candidíase oral

A candidíase oral se manifesta como lesões brancas de aspecto cremoso, na língua, parede interna das bochechas e no palato (céu da boca). O paciente se queixa de ardência, diminuição do paladar e sensação de ter algodão na boca. Quando o esôfago é acometido, o paciente se queixa de dificuldade e dor para engolir.

Fonte: MD.Saúde