Um casal jovem que vive um romance e um deles é portador do HIV. Essa é a história dos protagonistas do filme brasileiro "Boa sorte", dirigido por Carolina Jabor e estrelado por Déborah Secco. Não por acaso, o longa está em cartaz na semana em que se comemora o Dia Mundial de Combate à Aids, no dia 1º de dezembro. Sem entrar nos meandros do enredo, mas observando o romance e a idade dos personagens, pode-se dizer que os dois jovens representam a história de muitos, já que 86% das 35 milhões de pessoas infectadas pelo HIV ao redor do globo se encontram em idade reprodutiva, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)

Com a introdução da terapia antirretroviral na última década, indivíduos HIV positivos ganharam na expectativa e na qualidade de vida, mantendo vivos sonhos como o de casar ter filhos e constituir uma família. "Graças à evolução da medicina, a Aids tem se tornado uma doença com a qual é plenamente possível viver uma vida longa e normal. Com isso, portadores do HIV realizam aspirações que antes pareceriam impossíveis", afirma o professor do departamento de ginecologia da UFMG e especialista em reprodução assistida, Selmo Geber.

Com o uso das técnicas de Reprodução Assistida, casais sorodiscordantes podem ter filhos sem que haja o risco de transmissão do vírus de um parceiro para o outro. O médico ressalta que eles devem continuar usando preservativos para evitar a transmissão, mas podem ter filhos utilizando a técnica de fertilização in vitro com injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI).

Geber explica que, nesse caso, a mulher submete-se a um tratamento de estimulação ovariana para que vários folículos se desenvolvam e quando eles atingem o tamanho desejado, realiza-se a coleta dos óvulos. "No mesmo dia, o marido colhe o semen que é preparado para separar somente os espermatozoides, que serão, em seguida, injetados diretamente dentro dos óvulos Assim, os embriões formados são, em seguida, transferidos para o útero. Como não existe contato de secreções, o risco de transmissão é reduzido a zero", explica o médico

Quando a mulher é a portadora do HIV, a possibilidade de gestação deve ser avaliada por um médico infectologista, que irá analisar a carga viral e as possibilidades de transmissão vertical, ou seja, de o vírus passar para o filho. Caso a gestação seja possível, realiza-se a fertilização in vitro e o embrião é posteriormente transferido para o útero da paciente

Fonte: O tempo