Um erro em um laboratório do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) pode ter exposto um técnico ao mortal vírus ebola, contaram autoridades americanas. O técnico será monitorado por sinais de infecção pelos próximos 21 dias, período de incubação da doença.

A notícia do acidente provocou preocupação e dúvidas entre alguns especialistas em segurança. Amostras perigosas de antrax e gripe também foram mal manipuladas no CDC há apenas alguns meses, minando a confiança em uma agência que há tempos é um dos centros de pesquisa mais respeitados do mundo.

Outros funcionários que entraram no laboratório onde o erro aconteceu estão sendo examinados para possível exposição. Há menos de uma dúzia deles, e até agora parece que nenhum foi infectado, disse Thomas Skinner, um dos porta-vozes do CDC. As amostras foram devidamente contidas e nunca deixaram o campus do CDC, então não há risco ao público, garantiram as autoridades.

O erro aconteceu quando o laboratório de alta segurança que trabalha com o vírus ebola da epidemia que atinge o Oeste da África devia ter enviado vírus mortos acondicionados para outro laboratório do CDC no fim do corredor. Mas o primeiro laboratório enviou amostras erradas, que continham o vírus vivo. O segundo laboratório não estava equipado para lidar com o ebola vivo. O técnico que trabalhou com as amostras vestia luvas e avental, mas não um escudo no rosto, e pode ter sido exposto.

A troca foi descoberta, contou Stuart Nichol, chefe da Divisão de Patógenos Virais Especiais do CDC, que a classificou como erro humano. Em comunicado, Thomas R. Frieden, diretor do CDC, disse ter ficado "perturbado por este incidente" e prometeu "uma revisão completa de todos seus aspectos". Milhares de cientistas da agência, destacou "tomaram medidas extraordinárias para melhorar a segurança nos últimos meses". No último verão no Hemisfério Norte, o CDC prometeu melhorar seus procedimentos de segurança e apontar um comitê de especialistas externos para aconselhar sobre como fazê-lo.

Fonte: O Globo