Os casos de Aids entre jovens de 15 e 24 anos cresceram 33,7% entre 2007 e 2012 no estado de São Paulo, segundo o Boletim Epidemiológico do Centro de Referência e Treinamento (CRT) DST/Aids. Entre jovens de sexo masculino que buscaram ajuda no sistema de saúde por causa de efeitos do vírus, o crescimento foi de 76,9%. Entre as mulheres, houve decréscimo de 25%.

Segundo a infectologista Denise Lotufo, gerente de assistência do CRT, a epidemia de Aids no Brasil é e sempre foi concentrada em grupos mais vulneráveis: usuários de drogas, profissionais do sexo e homossexuais. Atualmente, ela considera "assustador" o crescimento da doença entre jovens gays do sexo masculino.

— Depois de 30 anos de epidemia, é muito triste ver jovens de 20 anos ou menos doentes — diz a médica.

O levantamento no estado de São Paulo só considera o crescimento de pessoas com doenças oportunistas, ou seja, o número de infectados assintomáticos é maior, informa Angela Tayra, gerente da vigilância epideomológica do CRT.

Na população paulista em geral, entre 2007 e 2012, houve queda de 4,5% no número de casos de Aids. O único grupo que registrou aumento nesse mesmo período é o de jovens do sexo masculino.

— É preciso reforçar a prevenção na adolescência, antes mesmo do início da idade sexualmente ativa. É um alerta para a sociedade o crescimento da doença entre os mais jovens — avalia Angela.

Com o passar dos anos, houve uma espécie de cansaço no uso de preservativos, afirma Denise, ponderando que os jovens não viram os piores anos da epidemia, as décadas de 80 e 90, acreditando que basta tomar remédio para manter a doença crônica sob controle.

— Não é bem assim. O tratamento existe, mas há efeitos colaterais, envelhecimento precoce e riscos — alerta a infectologista.

Campanhas incentivando o uso de preservativos sempre serão importantes, mas Denise acredita que é preciso oferecer aos jovens mais informações sobre outras formas de se evitar a doença. Uma delas é difundir a profilaxia pós-exposição, na qual há grandes chances de não se infectar caso o paciente tome durante 28 dias o coquetel antiviral até 72 horas após exposição ao vírus (o ideal é iniciar a profilaxia duas horas depois).

Outra sugestão da médica é informar casais para que façam exames juntos. Eles podem criar acordos nos quais relações extraconjugais só podem acontecer com preservativos. Caso haja um deslize, o casal deve usar preservativo até realizar novo teste. Em casos mais extremos, tomar o coquetel ininterruptamente, até que a pessoa seja capaz de se prevenir, pode ser uma estratégia para prevenir o contágio.

— É preciso discutir a autonomia das pessoas, em vez de ficar só falando "use camisinha". Nunca devemos deixar de falar do preservativo, mas temos que mudar nosso discurso — acredita Denise.

Fonte: O Globo