Um novo projeto desenvolvido pela Universidade de São Paulo promete diagnosticar a doença renal crônica (DRC) de forma precoce.

A DRC é caracterizada por alterações nas funções e na estrutura dos rins e afeta milhões de pessoas no mundo — grande parte delas não tem consciência disso. No teste realizado atualmente, por intermédio da quantificação de creatinina no sangue, as variações nas taxas desse biomarcador só são perceptíveis em estágios mais avançados da doença.

— Se conseguirmos detectar a doença renal crônica em seus primeiros estágios, poderemos oferecer uma qualidade de vida melhor aos pacientes e um tratamento mais simples — explica Laís Ribovski, aluna de mestrado da universidade.

O projeto rendeu ao grupo a medalha de bronze no International Genetically Engineered Machine (iGEM 2014), uma competição internacional focada na área de biologia sintética que reuniu 245 equipes formadas por estudantes de graduação e pós-graduação na cidade de Boston, Massachusetts, Estados Unidos.

Para detectar os primeiros estágios da doença, os pesquisadores propõem unir diversas partes de um DNA, programando a bactéria Bacillus subtilis para identificar alterações no nível de cistatina C no sangue.

Este outro biomarcador é uma proteína que, assim como a creatinina, está ligada à taxa de filtração glomerular e, por isso, também permite detectar alterações na estrutura e nas funções dos rins. Contudo, o aumento nas concentrações de cistatina C já é evidente em estágios menos avançados.

O próximo passo dos cientistas é finalizar a ligação de todos os fragmentos de DNA. Assim, o circuito será calibrado para as faixas de cistatina C que eles pretendem distinguir no sangue.

— Já temos o módulo e detecção deste biomarcador montado em uma membrana da Bacillus subtilis, bem como o processo de montagem do circuito interno. Além disso, estabelecemos a barreira de expressão do nosso circuito e conseguimos provar que ele funciona, mas agora precisamos reunir todos os módulos para finalizá-lo — explica Laís.

De acordo com Danilo Keiji Zampronio, que também integra o grupo, o projeto ainda renderá outras pesquisas e estudos até que possa ser uma solução disponível no mercado, uma vez que os pesquisadores precisam terminar seu circuito, patenteá-lo, caracterizá-lo e padronizá-lo por meio de diversos testes.

— Acredito que esse nosso projeto deverá ser comercializado daqui a três ou quatro anos — estima.

Fonte: Zero Hora