Belo Horizonte, 18 de Fevereiro de 2001 (Bibliomed)

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Um novo tipo de teste para detectar a presença do vírus da Aids ou da hepatite estará disponível, dentro de seis meses, em cerca de 18 hemocentros públicos em todo o País. Nesses locais, as amostras de sangue passarão por um exame mais sofisticado, conhecido como Nat (teste de ácido nucléico).

O teste, que também deverá ser adotado pelos hemocentros da rede privada, é capaz de identificar a presença do vírus no sangue antes mesmo que o organismo crie anticorpos. Além disso, a janela imunológica, que é o período em que o vírus fica no sangue sem ser detectado, cairá de 70 para 20 dias, no caso da hepatite C, e de 22 para 11 dias, no caso da Aids.

O anúncio do prazo para que os hemocentros adquiram o novo teste foi feito pelo ministro da Saúde, José Serra. Estima-se que, com o novo teste, o número de pessoas contaminadas pelo vírus da hepatite C em transfusões deverá cair em 300 casos por ano. Atualmente, 13% das doações de sangue são descartadas por causa da doença de Chagas, sífilis, Aids, hepatite C e malária.

O vírus da hepatite C pode ficar até 20 anos incubado. Ele é transmitido por contato com sangue contaminado e, atualmente, estuda-se a possibilidade de contágio por via sexual. Não existem estatísticas sobre o número de brasileiros contaminados pelo vírus da hepatite C, que é uma doença assintomática praticamente em todas as etapas antes de provocar tumores no fígado ou cirrose. Sabe-se, entretanto, que a doença avança em todo o País. A estimativa é de que entre um e dois milhões de pessoas estejam com o vírus.

Carlos Varaldo, presidente da Ong Grupo Otimismo de Apoio aos Portadores de Hepatite, considera que o uso de droga aspirada também é um fator de risco. Entretanto, ele salienta que a principal forma de contágio está nos salões de beleza ao fazer unhas com manicures. O vírus pode sobreviver até três dias em instrumentos como o alicate, por exemplo.

Fonte: Boa saúde