O transplante fecal é um procedimento que parece nojento, mas que vem ganhando a atenção de pesquisadores nos últimos anos. Mas o que é isto?

Trata-se de uma espécie de supositório com fezes de um indivíduo saudável que é dada para outro que esteja sofrendo com desarranjos na microbiota intestinal. Você deve imaginar que isto não deve ser nada agradável.

Porém, uma nova técnica está sendo desenvolvida. Recentemente saiu em uma revista científica um artigo que mostra o uso de pílulas ingeridas oralmente dão resultados melhores e mais confortáveis para os pacientes. Isto porque a administração do transplante como citado no parágrafo acima enfrentava dificuldades. Imagine, a pessoa está com o intestino desarranjado. Qualquer coisa que é introduzida diretamente no cólon é expulsa em um paciente sofrendo de diarreias graves. As pílulas evitam este problema.

Nossos intestinos são cheios de bactérias. Elas não fazem mal. Ao contrário, muitas delas são importantes para que possamos absorver da melhor forma os nutrientes que comemos. Porém, se há um descontrole na quantidade de bactérias de determinadas espécies que vivem dentro do nosso sistema digestivo, isto gera um grave problema intestinal podendo até mesmo causar a morte de um paciente.

Mas não se engane, os médicos não fazem estas pílulas apenas inserindo as fezes de um indivíduo saudável e dando para paciente que sofre deste desarranjado da microbiota intestinal. O processo é mais complicado e ainda um pouco caro.

Isto porque, quando defecamos, liberamos milhões e milhões de bactérias de dezenas de espécies. É preciso identificar estes microrganismos para fazer o tratamento correto do paciente. Selecionar somente as espécies necessárias para que o conjunto de bactérias intestinais volte a ficar regulado. Além disso, deve existir todo um preparo especial destas novas pílulas que devem se manter intactas enquanto passam pelo estômago cujo pH é muito ácido.

O bacana é que os resultados recentes deste tratamento pela via oral estão se mostrando muito promissores, com uma taxa de sucesso acima dos 90%. E aí, se você estivesse passando pela situação destes pacientes, encararia este tratamento?

Fonte: Biologia Total