Um homem que sofre com uma leucemia agressiva está agora em remissão após médicos usarem o vírus HIV para alvejar e matar células cancerígenas.

Marshall Jensen foi diagnosticado com leucemia linfoblástica aguda, um câncer das células brancas do sangue, logo depois de se casar em 2012.

Jensen, 30, e sua família deixaram sua casa em Utah e passaram os dois anos seguintes viajando pelos Estados Unidos em busca de um tratamento que poderia lutar contra o câncer, a emissora KSL relata.

Na Filadélfia, Jensen ficou sabendo de um tratamento raro, experimental, aproveitando da capacidade HIV vírus para inserir novos genes nas células T do paciente, a fim de matar o câncer de outra forma incurável.

O tratamento é o resultado de duas décadas de pesquisas por Carl June e sua equipe da Penn Medicine, que produziu um estudo sobre os "assassinos específicos de leucemia", publicado no New England Journal of Medicine.

— É um vírus desativado. Mas ele retém a característica essencial de um HIV, que é a capacidade de inserir novos genes nas células — explicou June.

A terapia trabalha levando milhares de milhões de células T de um paciente com câncer. O DNA nas células é então alterado com uma forma inofensiva do vírus HIV.

As células são programadas para reconhecer e matar o câncer e são colocadas de volta no corpo da pessoa.

June disse que as células agem como "serial killers" e continuam a permanecer latentes no corpo, a menos que o câncer retorne. Sua equipe descobriu que uma das células T modificadas pode matar cerca de mil células tumorais.

O tratamento tem sido bem sucedido até agora e Jensen voltou para casa depois de ter sido dito que ele está em remissão.

Um total de 30 crianças e adultos receberam o tratamento no estudo de June. Vinte e três dos pacientes estão vivos e 19 já alcançaram a remissão completa.

June vai começar os testes em pacientes com câncer de pâncreas no verão de 2015.

Fonte: O Globo