A doença, causada por um vírus, já afetou mais de 8 mil pessoas e matou ao menos 4 mil delas, segundo balanço de 5 de outubro divulgado pela Organização Mundial da Saúde, agência das Nações Unidas.

Inicialmente, o Ebola atingiu seu ápice no continente africano, que enfrenta um surto sem precedentes em relação ao número de pessoas infectadas, de mortos e extensão geográfica. Guiné, Libéria, Nigéria, Senegal e Serra Leoa tiveram ocorrências.

Nos últimos dias, o vírus também foi detectado nos Estados Unidos e na Espanha, país que registrou o primeiro caso de contaminação autóctone fora da África.

Causador da febre hemorrágica, o vírus é um dos mais mortais que existem. Ele mata até 90% dos infectados e ainda não há vacina disponível para uso na população.

Ele foi registrado nos primeiros seres humanos em 1976, em Yambuku, uma aldeia na República Democrática do Congo, às margens do Rio Ebola. Desde então, mais de 20 surtos da doenças ocorreram em países da África Central e Ocidental.

Veja abaixo perguntas e respostas sobre essa doença:

1. O que é a doença causada pelo vírus Ebola?

A doença do vírus Ebola (anteriormente conhecida como febre hemorrágica Ebola) é uma doença grave, muitas vezes fatal, com uma taxa de letalidade que pode chegar até os 90%. A doença afeta os seres humanos e primatas (macacos, gorilas e chimpanzés). O Ebola foi identificado pela primeira vez em 1976, em dois surtos simultâneos: um em uma aldeia perto do rio Ebola, na República Democrática do Congo, e outro em uma área remota do Sudão. A origem do vírus é desconhecida, mas os morcegos frugívoros (Pteropodidae) são considerados os hospedeiros prováveis do vírus Ebola.

2. Como as pessoas são infectadas com o vírus?

O Ebola é introduzido na população humana por meio de contato direto com o sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de animais infectados. Na África, os surtos provavelmente originam-se quando pessoas têm contato ou manuseiam a carne crua de chimpanzés, gorilas infectados, morcegos, macacos, antílopes e porcos-espinhos encontrados doentes ou mortos na floresta.

3. O vírus Ebola passa de pessoa para pessoa?

Depois que uma pessoa entra em contato com um animal que tem Ebola, ela pode espalhar o vírus na sua comunidade, transmitindo-o para outras pessoas. A infecção ocorre por contato direto com o sangue ou outros fluidos corporais ou secreções (fezes, urina, saliva, sêmen) de pessoas infectadas. A infecção também pode ocorrer se a pele ou membranas mucosas de uma pessoa saudável entrarem em contato com objetos contaminados com fluidos infecciosos de um paciente com Ebola, como roupa suja, roupa de cama ou agulhas usadas.

Cerimônias fúnebres em que amigos e familiares têm contato direto com o corpo da pessoa falecida, como é comum em comunidades rurais de alguns países africanos, também podem desempenhar um papel importante na transmissão do Ebola. Pessoas que morreram de Ebola devem ser manipuladas apenas por quem esteja usando roupas de proteção e luvas. O corpo deve ser enterrado imediatamente. Vale ressaltar, que o vírus Ebola não é transmitido pelo ar.

4. Quais os riscos para os profissionais de saúde que cuidam dos doentes?

Os profissionais de saúde têm sido frequentemente expostos ao vírus ao cuidar de pacientes com Ebola na África. Isso acontece quando eles não usam adequadamente equipamentos de proteção individual, como luvas e máscaras. Os profissionais de saúde devem seguir rigorosamente as precauções de controle de infecção recomendados.

Além dos cuidados usuais, os trabalhadores de saúde devem aplicar estritamente as medidas de controle de infecção para evitar a exposição a sangue infectado, fluidos ou ambientes e objetos contaminados - como a roupa suja de um paciente ou agulhas usadas. É recomendado o uso de equipamentos de proteção individual, tais como aventais, luvas, botas, máscaras e óculos de proteção ou protetores faciais; não devem reutilizar equipamentos ou roupas de proteção, a menos que tenham sido devidamente desinfectados; devem trocar as luvas ao passar de um paciente para outro.

Procedimentos invasivos que podem expor os médicos, enfermeiros e outros à infecção devem ser realizado sob estritas condições de segurança. Os pacientes infectados devem ser mantidos separados dos outros pacientes e pessoas saudáveis, tanto quanto possível. A dificuldade de manter esses padrões adequados nos serviços de saúde dos países africanos acometidos tem propiciado a infecção em profissionais de saúde.

5. Quando uma pessoa passa a transmitir o vírus?

O período em que a pessoa infectada pode transmitir só inicia após o surgimento dos sintomas. Durante o período de incubação, a pessoa não transmite o Ebola. As pessoas podem infectar outras enquanto seu sangue e secreções contiverem o vírus. Por esta razão, os pacientes infectados têm que ser cercados de cuidados específicos para evitar que profissionais de saúde ou parentes e amigos, que os visitam no hospital, entrem em contato com o sangue e secreções.

6. Quem corre mais risco?

Durante um surto, como o que agora ocorre na Libéria, Serra Leoa e Guiné, as pessoas com maior risco de infecção são os profissionais de saúde (que atendem pacientes sem seguir as medidas de proteção adequadas), membros da família ou outras pessoas que têm contato próximo com as pessoas infectadas, pessoas que têm contato direto com os corpos dos mortos como parte de cerimônias fúnebres e caçadores que entram em contato com animais mortos encontrados na floresta.

7. Quais são os sinais e sintomas do Ebola?

O início súbito de febre, fraqueza intensa, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta são os sinais e sintomas típicos. A pessoa infectada também tem vômitos, diarreia, disfunção hepática, erupção cutânea, insuficiência renal e, em alguns casos, hemorragia tanto interna como externa. O período de incubação, ou o intervalo de tempo entre a infecção e o início dos sintomas, pode variar de dois até 21 dias. Os pacientes tornam-se contagiosos apenas quando começam a apresentar os sintomas. Eles não são contagiosos durante o período de incubação. A confirmação dos casos de Ebola é feita por exames laboratoriais específicos.

8. Qual é o tratamento?

Não há tratamento específico que cure o Ebola. Alguns tratamentos experimentais têm sido testados, mas ainda não estão disponíveis para uso geral. Os pacientes de Ebola requerem tratamento de suporte intensivo, realizado em hospitais de referência para tratamento de doenças infecciosas graves. Os pacientes, geralmente, ficam desidratados e precisam de reidratação oral com soluções que contenham eletrólitos.

Alguns pacientes podem se recuperar se receberem tratamento médico adequado. Para ajudar a controlar a propagação do vírus, as pessoas suspeitas ou confirmadas de ter a doença, devem ser isoladas de outros pacientes e tratadas por profissionais de saúde, sempre com o uso de equipamentos de proteção.

9. Como prevenir a infecção pelo Ebola?

Atualmente não há nenhuma vacina para a doença do vírus Ebola. Várias vacinas estão sendo testadas, mas nenhuma delas está disponível para uso clínico no momento. Nos países onde existe transmissão do Ebola, a melhor maneira de se prevenir é evitar contato com o sangue ou secreções de animais ou pessoas doentes, ou ainda com o corpo de pessoas falecidas em decorrência dessa doença, durante rituais de velório.

10. É seguro viajar durante um surto?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda restrições de viagens para os países onde há epidemia da doença por considerar que o risco de infecção para os viajantes é muito baixo. A transmissão de pessoa a pessoa só se dá com o contato direto com os fluidos corporais ou secreções de um paciente infectado. Além disso, a transmissão ocorre, principalmente, em vilas e povoados de áreas rurais. Por outro lado, pessoas que viajam a trabalho para as capitais ou cidades desses países devem evitar qualquer contato com animais ou com pessoas doentes.

Os profissionais de saúde que viajam para as áreas com transmissão, nesses países, devem seguir, estritamente, as medidas recomendadas pela OMS para o controle da infecção. Os brasileiros que residem nos países onde há transmissão do Ebola (Libéria, Serra Leoa e Guiné) devem evitar deslocamentos para as áreas rurais e vilas onde estão ocorrendo os casos, ficar alerta às informações e recomendações prestadas pelos Ministérios da Saúde desses países e evitar contato com animais ou pessoas doentes.

11. É possível ocorrer casos de Ebola no Brasil?

Pelas características da infecção pelo Ebola, a possibilidade de ocorrer uma disseminação global do vírus é muito baixa. Desde sua descoberta em 1976, o vírus tem produzido, ocasionalmente, surtos em um ou mais países africanos, sempre muito graves pela alta letalidade, no entanto, autolimitados.

O surto é considerado grave devido a sua extensão - atingindo três países - e pela demora no seu controle. Isso ocorre pela precariedade dos serviços de saúde nas áreas em que ocorre a transmissão, que não dispõem de equipamentos básicos de proteção aos profissionais de saúde e aos demais pacientes, bem como pelas práticas e tradições culturais de manter pacientes em casa, inclusive escondendo sua condição das autoridades sanitárias, além da realização de rituais de velórios em que os parentes e amigos têm bastante contato com o corpo do falecido.

No Brasil, não há circulação natural do vírus Ebola em animais silvestres, como em várias regiões da África.

12. Como é feita a detecção de casos?

Como o período de transmissão só começa depois que a pessoa inicia os sintomas e - como todo caso de Ebola produz sintomas fortes, exigindo que o doente procure um serviço de saúde - a detecção de casos pode ser feita, oportunamente, em locais com serviços de saúde e sistemas de vigilância estruturados, facilitando a interrupção da transmissão. Se uma pessoa vier de um país onde ocorre transmissão e apresentar a doença durante a viagem, a equipe de bordo aplica as normas internacionais vigentes, visando a proteção dos demais passageiros. Além disso, informa às autoridades sanitárias do aeroporto ou porto de destino para a remoção e transporte do paciente ao hospital de referência, em condições adequadas.

13. O que deve ser feito se um viajante, proveniente desses países africanos, apresentar sintomas já no nosso país?

Se o deslocamento for realizado durante o período de incubação - quando a infecção ainda é indetectável - e só apresentar os sintomas da doença depois da chegada ao país, o serviço de saúde que for procurado por esse paciente deverá notificar imediatamente o caso para a Secretaria Municipal ou Estadual de Saúde ou à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. A partir da identificação de que se trata de um caso suspeito, já são adotadas as medidas para proteção dos profissionais de saúde envolvidos no atendimento ao caso, bem como para evitar que a infecção seja transmitida para outras pessoas.

O Ministério da Saúde recebe informações diárias da OMS para avaliar a situação do surto de Ebola na África ocidental e recomendar as medidas adequadas para a proteção de nosso país.

14. O Brasil já confirmou se há alguém com Ebola no país?

Não. O Ministério da Saúde divulgou que um homem de 47 anos, da Guiné, país que é um dos mais afetados pelo Ebola, se apresentou em um hospital de Cascavel (PR) no dia 9 de outubro. Ele alegou ter retornado da África em 19 de setembro e, entre quarta-feira (8) e quinta-feira (9), passou a sentir febre. Segundo a pasta, o paciente estaria no 21º dia da possível infecção, prazo máximo para a incubação do vírus. Por isso, todos os protocolos internacionais foram efetuados para evitar uma proliferação, caso seja confirmada a enfermidade. Ele foi levado ao Rio de Janeiro e encaminhado ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), referência em doenças infecciosas.

O Ministério da Saúde informou no sábado (11) que o exame do paciente suspeito de infecção pelo vírus Ebola teve resultado negativo. A confirmação, no entanto, só deve ocorrer após um segundo exame comprovar que o paciente realmente não tem o vírus, informou o Ministério. O estado de saúde de Souleymane Bah é bom e ele não apresenta febre. Ainda de acordo com o Ministério, ele está em "isolamento total" no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro (RJ).

15. Onde ocorre a epidemia atualmente?

Segundo a OMS, o maior número de casos foi registrado na Libéria, seguido de Serra Leoa e Guiné. Nesses três países, o número de contaminados e mortos tem aumentado a cada novo balanço divulgado pela agência da ONU. Senegal e Nigéria também registraram ocorrências, mas, aparentemente, o surto foi controlado.

Os Estados Unidos acenderam o alerta ao registrar o primeiro caso importado da doença. Thomas Eric Duncan, da Libéria, visitava sua noiva no Estado do Texas quando sentiu os sintomas da doença. Ele morreu em um hospital de Dallas na quarta-feira. O país investiga possíveis casos suspeitos.

A Espanha registrou o primeiro caso de contágio do Ebola fora da África. Uma enfermeira foi contaminada ao cuidar de dois missionários, também espanhóis, que contraíram a doença em Serra Leoa. Eles acabaram morrendo. A mulher está internada em estado grave.

Segundo Luis Gomes Sambo, diretor regional da OMS para a África, "o atual surto tem o potencial de se espalhar para fora dos países afetados e além da região se medidas urgentes e relevantes de contenção não forem postas em prática", acrescentou.

16. Há necessidade de fechar fronteiras e restringir voos por causa da epidemia?

A OMS, por enquanto, não recomenda restrições de viagens ou fechamento de fronteiras devido ao surto de Ebola. Mesmo assim, a presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, anunciou no dia 27 de julho o fechamento da maior parte das fronteiras terrestres do país, depois que o vírus se espalhou para duas das maiores cidades do oeste da África. As companhia aéreas British Airways e Emirates suspenderam seus voos para países da África Ocidental.

A partir deste sábado, os Estados Unidos, passarão a introduzir os testes de detecção de Ebola nos aeroportos. A medida inicia em Nova York. Nos outros locais, são esperados para a próxima semana.

Fonte: Portal da Saúde | G1