Um médico americano vem constantemente encontrando larvas de tênia vivendo no cérebro de humanos. Os pacientes chegam em seu consultório com um lado do corpo paralisado, as vezes sem conseguir andar em linha reta, parcialmente cegos e até mesmo em coma em alguns casos, dentre outros sintomas. Quando é feita uma ressonância magnética, é dado o veredicto. Larvas de tênia estão alojadas no cérebro do paciente

As tênias são mais conhecidas na sua forma adulta, quando são encontradas vivendo no intestino humano. Mas isso é só uma fase da vida do animal. Antes de se tornarem adultas, as tênias passam parte da sua vida larval vivendo em cistos. Quando esses cistos se formam no cérebro humano ocorre a doença chamada neurocisticercose ou ciscitercose

A cisticercose apresenta um largo número de casos no mundo todo, tendo sua maior prevalência em áreas mais pobres. Porém isso não é uma regra. O médico Theodore Nash acredita que existam de 1500 a 2000 pessoas com cisticercose nos EUA. E o número pode ser ainda maior, pois como os sintomas são muito parecidos com o de outros distúrbios cerebrais, a cisticercose é dificilmente diagnosticada. Na América Latina acredita-se que existam até 29 milhões de pessoas com cisticercose, o que é muito preocupante

A doença ocorre quando a tênia "erra" o caminho do seu ciclo de vida. No ciclo de vida normal, a tênia vai dos porcos para os seres humanos quando estes ingerem a carne de porco mal preparada e com cistos de tênias na carne. Posteriormente os porcos entram em contato com os ovos de tênia presentes nas fezes humanas, fazendo com que a tênia volte para o porco e encerrando o ciclo. Quando os ovos de tênia acabam sendo ingeridos por seres humanos (em alimentos mal lavados que entraram em contato com fezes) ocorre um erro no ciclo e consequentemente a cisticercose. Os ovos eclodem dentro dos seres humanos, as larvas caem na corrente sanguínea e começam a procurar um lugar para se encistar e se desenvolver, e muitas vezes esse local é o cérebro.

Depois que estão no cérebro, os cistos podem crescer em larga escala, pressionando alguns locais do cérebro e alterando o seu funcionamento. Além disso os cistos também podem causar hidrocefalia (acúmulo de água no cérebro) e um aumento grande da pressão intracraniana. O ápice dos problemas causados são o coma e a morte. Algumas vezes o sistema imunológico humano pode aniquilar o cisto antes mesmo de ele causar problemas. Porém na maioria das vezes o dano é permanente e mesmo em alguns casos onde o cisto se calcifica, as reações imunológicas podem ser observadas no organismo durante muito tempo

Atualmente existe uma grande busca por medicamentos que possam ajudar a combater a cisticercose, já que os que existem causam efeitos colaterais graves, levando até mesmo ao inchaço do cérebro. Enquanto uma medicação melhor não é criada, o melhor a se fazer é evitar a doença. O tratamento dos doentes para que o ciclo seja quebrado e a doença erradicada é uma boa forma. Além disso existem vacinas para os porcos, que destroem os ovos dos parasitas logo que ingeridos. Mas a principal maneira de evitar a cisticercose é lavando bem todos os alimentos que irá ingerir, além de cozinhar muito bem a carne do porco antes de come-la.

Fonte: Diário de Biologia