Transformar novidades em aplicações rentáveis é vital para qualquer empresa. Cada vez mais, porém, pesquisas voltadas para a inovação têm gerado oportunidade de negócios para os seus próprios desenvolvedores.

Um bom exemplo dessa tendência é o setor de Biomedicina. Para o professor da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp Gustavo Paim Valença, essa é a área que inova de forma mais rápida na indústria química.

Na definição de Gertrudes Corção, coordenadora do curso de Biomedicina na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), nela "estão os projetos para desenvolvimento de medicamentos, metodologias de diagnóstico e tecnologias para a saúde".

Por abranger vários segmentos, o mercado demanda profissionais de química, física e farmácia, entre outros.

No trabalho, o estudante tem vários caminhos. Os mais comuns são fazer pesquisas na própria faculdade ou dentro de grandes empresas.

Doutoranda em farmácia pela Unicamp, Aleksandra Silva, 32, resolveu fazer um pouco dos dois e acabou criando uma terceira opção.

"Comecei a ver uma linha de pesquisa interessante, que poderia ser voltada para os pacientes e para o mercado ao mesmo tempo."

Com um colega de pós-graduação, Aleksandra fundou a start-up (empresa iniciante de tecnologia) ANS Pharma, onde criou um produto voltado para a cicatrização da pele de pessoas com diabetes.

A farmacêutica afirma que as empresas do exterior não ficam alheias ao que acontece dentro dos pequenos empreendimentos. "Agora lidamos com investidores, temos uma parceria com uma multinacional interessada nos nossos produtos, mas ainda não temos acordo de compra", conta.

A empresa de Aleksandra já tem negócios com companhias na China e na Bélgica.

De acordo com Valença, a área biomédica oferece grande espaço para negócios.

"As empresas não precisam produzir em grandes volumes, e a margem de lucro é maior. Se tiverem inovação, as empresas pequenas podem sobreviver", afirma o professor da Unicamp.

Para Gertrudes, outra vantagem de estudantes e jovens profissionais criarem suas próprias empresas de inovação está em propiciar uma "visão mais aplicada da atividade de pesquisa", aumentando o interesse pela área.

Fonte: Folha de S.Paulo