A pele de quem tem excesso de açúcar no sangue, geralmente mais seca e sujeita a problemas, demanda cuidados especiais. Entenda essas peculiaridades e o que deve ser feito para mantê-la bonita e saudável.

Boa parte dos 13 milhões de brasileiros com diabete, talvez por relacionar sua condição a panes no coração e no pâncreas, não cuida direito de outro órgão que sofre com a sobrecarga de glicose na circulação: a pele. Um estudo da Faculdade de São Paulo (USP), por exemplo, analisou 403 pessoas com distúrbio e mostrou que 81% tinham algum tipo de encrenca cutânea. "Com altos índices de açúcar no sangue, a pele cede um pouco de água para o resto do organismo e se desidrata", explica a dermatologista Vanessa Cunha, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Acontece que a secura deixa esse tecido como o solo do sertão, isto é, cheio de rachaduras que servem de entrada para micróbios, infecções na superfície do corpo são as mais comuns entre indivíduos com a doença.

"E, quando a glicemia está descontrolada, eles ficam ainda mais suscetíveis a essas complicações", avisa o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, da USP de Ribeirão Preto.

Um sangue pra lá de doce também dificulta a cicatrização e lesa terminações nervosas em alguns cantos do corpo, tirando parte da sensibilidade usual. Resultado: uma feridinha qualquer na perna tem maior risco de passar despercebida e agravar-se. "Desconsiderando acidentes, o diabete é a principal causa de amputação", lamenta Couri. Para deixar a derme hidratada e íntegra, o diabético pode, sim, recorrer aos cremes. Pesquisadores da Universidade de Liège, na Bélgica, inclusive conduziram uma revisão para mensurar o efeito de certos produtos nessa população. E notaram que o uso adequado de alguns deles ajuda, de fato, a diminuir a incidência de problemas cutâneos. Mas aí é que está: nem todo creme fez bem à turma do diabete. Itens repletos de ureia são contraindicados, por exemplo. "Só formulações com menos de 10% dessa substância são efetivas como hidratantes", afirma Denise Steiner, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

"Acima desse percentual, a ureia gera uma esfoliação que lesa aquela pele já fragilizada", esclarece Vanessa. Hoje, existem cosméticos destinados a quem possui muito açúcar trafegando pelos vasos, como o Hidrastar, lançado recentemente pela farmacêutica Sanofi-Aventis. Eles costumam concentrar três tipos de moléculas: as oclusivas, que formam uma película para impedir o ressecamento; as que limitam a ação das bactérias; e as umectantes, que hidratam pra valer. Agora, para vários especialistas, os diabéticos até podem usar cremes comuns, desde que contenham uma baixíssima concentração de ureia e sejam recomendados por um médico. "E, claro, eventuais irritações decorrentes dos produtos precisam ser reportadas", adverte Samanta Nunes, dermatologista da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Além de passar loções, é essencial evitar banhos escaldantes e se exceder no uso do sabonete. "As mulheres não devem ainda tirar a cutícula, já que isso contribui para infecções", completa Samanta. Por último e, não menos importante, nunca descuide dos níveis de glicose. "O diabete, se bem controlado, dificilmente provoca lesões na pele", sentencia Couri.

ATENÇÃO REDOBRADA AOS PÉS

Sem proteção e higiene adequada, eles ficam predispostos a machucados e infecções capazes de gerar consequências graves. "Fungos embaixo das unhas podem até levar à amputação", exemplifica Vanessa. Por isso, calce sapatos confortáveis e meias de algodão, seque bem os pés e fale com o médico a qualquer sinal de ferida. Cremes também devem ser aplicados, porém sem exagero entre os dedos. Caso contrário, a região fica úmida demais, algo propício a micoses.

Fonte: Pharmagistral