A icterícia, ou popular amarelão, atinge cerca de 60% dos recém-nascidos. Essa disfunção ocorre quando o organismo produz excessivamente a bilirrubina, substância não metabolizada pelo fígado por causa da imaturidade do órgão, e que deixa a pele do bebê amarelada. Na maioria dos casos, a icterícia regride naturalmente e desaparece na primeira semana de vida da criança. Mas caso o amarelão persista, os pais precisam procurar ajuda.

O nível da icterícia no bebê pode ser detectado por meio de um exame de sangue ou por um aparelho chamado bilirrubinômetro, que mede a quantidade da substância no organismo por meio de toques do aparelho na testa da criança. Segundo o pediatra Ernani Miura, o procedimento pode ajudar muitos bebês.

— Nas situações mais extremas, a bilirrubina pode se instalar no cérebro e interromper o metabolismo das células nervosas e ocasionar sua morte. Isso pode gerar uma grande irritabilidade no bebê, apatia, ausência de reflexos, convulsões, estado de coma ou até mesmo morte. Por isso, considero que o exame deveria ser condição obrigatória para a alta do recém-nascido — diz.

A pediatra Desirée de Freitas Valle Volkmer recomenda que os pais levem o filho ao pediatra nas primeiras 48 ou 72 horas após a alta da maternidade, para um acompanhamento do estado geral da criança.

— A evolução clínica do bebê nos primeiros dias de vida é imprescindível para a determinar se existe icterícia ou não. Começar o tratamento o mais cedo possível vai prevenir danos maiores ao bebê — observa.

O tratamento da icterícia é realizado por meio da fototerapia, um banho de luz azul que transforma a bilirrubina tóxica em não tóxica para o organismo.

Saiba quais perfis correm mais risco de desenvolver icterícia:

— Bebês que nascem com o fator sanguíneo RH+

— Bebês cujas mães são RH-

— Recém-nascidos dos grupos sanguíneos A ou B que sejam filhos de mulheres do tipo O

— Prematuros

— Bebês que apresentam dificuldades de amamentação nos primeiros dias

Fonte: Zero Hora