O cobre é um oligoelemento essencial, cofator de diversos sistemas enzimáticos, com importante papel na absorção e no metabolismo do ferro. Após o zinco e o ferro, é o terceiro oligoelemento mais abundante no corpo humano. O cobre está presente em
sistemas biológicos com a valência +1 e +2, sendo a participação em reações de oxidação-redução a principal função das metaloproteínas que contêm este metal.

Devido a sua alta condutividade térmica e elétrica, baixa corrosão e maleabilidade, a principal aplicação do cobre é na indústria elétrica. A concentração de cobre nos alimentos é dependente da quantidade deste no solo. Fígado, crustáceos e mariscos contêm grandes quantidades de Cobre. Recomendações dietéticas de cobre para um adulto são estimadas entre 1,2 a 2,0 mg/dia. Estudo realizado com 850 adultos revelou que em 35% destes, a dieta fornecia menos de 1 mg de cobre ao dia.

O cobre é absorvido no estômago e principalmente no duodeno por um processo regulado pela metalotioneína (MT). A MT, cuja síntese é induzida pelo próprio cobre, liga esse metal às células da mucosa intestinal que são eliminadas nas fezes. Como o zinco
também estimula a MT, uma dieta rica em zinco bloqueia o transporte do cobre na mucosa intestinal. Cádmio e ferro também podem inibir a absorção do cobre por mecanismo similar. O molibdênio diminui a absorção do cobre formando compostos insolúveis. Após a absorção, o cobre se liga à albumina e à cobre-histidina. No fígado, é utilizado para sintetizar a ceruloplasmina, estando 70 a 95% do cobre plasmático ligado à ceruloplasmina. Cerca de 5 a 80% do cobre ingerido é absorvido, apresentando meia-vida de 13 a
33 dias. A carga corporal de cobre em um adulto é de 80 a 150 mg, sendo o fígado seu principal depósito. A excreção biliar é a principal via de eliminação do cobre, variando de 0,5 a 1,3 mg/dia. A via urinária é responsável por menos de 3% da eliminação do cobre.

Aumentos do cobre urinário são encontrados na Doença de Wilson, Síndrome de Menkes, cirrose biliar primária e na intoxicação por cobre. O teste também é utilizado para se avaliar a eficácia da terapia de quelação na doença de Wilson, onde se espera excreção elevada do cobre. Uso de aminoácidos endovenosos (solução de nutrição parenteral), captopril e outras medicações podem quelar o cobre, aumentando sua excreção urinária. Pacientes com síndrome nefrótica apresentam cobre urinário aumentado. Elevação do Cobre urinário após sobrecarga com penicilamina foi proposto como método diagnóstico da Doença de Wilson. São considerados valores
normais aqueles entre 15 e 60 mcg/24h ou entre 12 a 80 mcg/l para urina recente.

A ceruloplasmina é uma glicoproteína produzida pelo fígado, responsável pelo transporte de 80 a 95% do cobre plasmático. É uma proteína de resposta de fase aguda, migrando na região alfa-2-globulina na eletroforese de proteínas. Não é visível rotineiramente, mas apenas nas situações que levam a grandes elevações séricas.

Sua principal utilização clínica é no diagnóstico diferencial entre várias doenças hepáticas e a doença de Wilson, que é classicamente acompanhada pela diminuição dos níveis séricos da ceruloplasmina. É uma doença autossômica recessiva, em que ocorre diminuição da capacidade de ligação do cobre à ceruloplasmina, resultando no aumento dos níveis de cobre livre no plasma e nos tecidos, especialmente fígado e cérebro.

Outras patologias que levam a lesão hepática grave, desnutrição, síndrome nefrótica e enteropatias com perda de proteína podem cursar com níveis diminuídos de ceruloplasmina.

Níveis excessivos de zinco na dieta podem levar a um bloqueio da absorção intestinal de cobre, levando inicialmente a uma diminuição dos níveis de ceruloplasmina. O período necessário à eliminação do zinco supera o bloqueio à absorção do cobre, seguindo-se a um aumento do cobre sérico e da ceruloplasmina.

Apresenta-se elevada em diferentes distúrbios que levam à reação de fase aguda, como: carcinomas, leucemias, doença de Hodgkin, traumas, obstrução biliar, gravidez, intoxicação por cobre, uso de contraceptivos orais, fenitoína e terapia com estrogênios.

Fonte: CENAPRO - Rosemary Araújo