Uma equipe de cientistas britânicos conseguiu fazer um retrato genético de um cão que viveu há 11 mil anos. Isso foi possível graças a um tumor, que é de um tipo de câncer dos mais antigos já registrados pela ciência. As informações são da BBC. A equipe liderada pelo Instituto Wellcome Trust Sanger (Reino Unido) sequenciou o genoma de um tumor extremamente raro que é transmissível entre cães. O câncer venéreo transmissível canino causa tumores genitais dos cães.

Ao sequenciar o genoma desse tumor, os cientistas puderam fazer um retrato genético do cachorro que teria desenvolvido a doença pela primeira vez. O primeiro animal acometido por esse câncer é um cachorro parecido com um husky siberiano. Era de porte médio, de pelo curto e liso. O motivo que fez esse indivíduo ter um câncer transmissível pela primeira vez é obscuro. Mas os pesquisadores ficaram fascinados com a possibilidade de reconstruir a identidade de um cachorro a partir do genoma ainda vivo nas células do câncer.

A surpresa é que esse tipo de câncer conseguiu sobreviver todo esse tempo. Em vez de morrer com o primeiro hospedeiro, o câncer se espalhou para outros cachorros. No começo, a doença existia em uma população isolada de cães. Mas se espalhou pelo mundo nos últimos 500 anos.

Os cientistas acreditam que o genoma do câncer canino transmissível ajudará a ciência a entender os processos que permitem que o câncer se transforme em algo transmissível. Isso porque a maioria dos casos de câncer surge quando uma única célula no corpo sofre mutações e começa a se dividir descontroladamente. As células, então, se espalham pelo corpo formando a metástase, mas raramente se espalham para outros indivíduos.

Fonte: Info Abril