A síndrome metabólica (também conhecida como síndrome X) é o nome que se dá ao conjunto de alterações orgânicas que são resultantes de uma ação ineficiente do hormônio insulina, conhecida como resistência à insulina. Este hormônio é fundamental não só para o controle das taxas de glicose no sangue, mas também apresenta inúmeras funções no fígado, tecido gorduroso, rins e mesmo nos vasos sanguíneos.

Qual a relação entre a resistência à insulina e a síndrome metabólica?

A resistência à ação da insulina ocorre quando concentrações fisiológicas deste hormônio produzem uma ação biológica considerada como insuficiente, podendo mesmo gerar uma elevação dos seus níveis circulantes na tentativa de compensar essa ação inadequada. Essa resistência à insulina está correlacionada a distúrbios metabólicos na manutenção das taxas de glicose, de triglicérides e frações do colesterol e também na pressão arterial sistêmica. As alterações resultantes dessa resistência à insulina são responsáveis pela síndrome metabólica, sendo muito freqüente a associação com diabetes tipo 2, obesidade especialmente do tipo abdominal (visceral), hipertensão arterial e elevação dos triglicérides com redução do chamado "bom" colesterol, o HDL.

Qual o prejuízo para a saúde em quem é portador da síndrome metabólica?

Além de estar associada a diabetes tipo 2, hipertensão arterial, obesidade e elevação do colesterol, estudos epidemiológicos sugerem que a resistência à insulina e os distúrbios associados estão diretamente relacionados ao desenvolvimento de arteriosclerose e doença cardiovascular (infarto do miocárdio). Apenas como ilustração da magnitude do problema, estima-se que nos Estados Unidos, a síndrome metabólica atinja cerca de 24% da população adulta. Acredita-se que existam fatores genéticos de predisposição associados a uma mudança no estilo de vida com sedentarismo e excesso de ingestão calórica.

Como identificar alguém que seja portador da síndrome metabólica?

Existem algumas sugestões de sociedades médicas para detecção dos indivíduos portadores de síndrome metabólica. Por exemplo, um recente consenso (Adult Treatment Panel III, ATP III) sugere que os indivíduos portadores de três ou mais dos seguintes critérios devam ser considerados como portadores de síndrome metabólica:

1. Obesidade abdominal (visceral), medida ao nível do umbigo: circunferência cintura > 102 cm em homens e > 88 cm em mulheres;

2. Hipertrigliceridemia: > ou = 150 mg/dL;

3. HDL colesterol: < 40 mg/dL em homens e < 50 mg/dL em mulheres;

4. Hipertensão arterial sistêmica: > ou = 130/85 mmHg;

5. Glicemia de jejum: > ou = 110 mg/dL (recentemente, a Associação Americana de Diabetes sugeriu que os valores de normalidade para glicemia de jejum fossem reduzidos para, no máximo, 99 mg/dL, sendo possível que esse critério seja adotado também para síndrome metabólica em um próximo consenso da ATP III).

Outras sociedades médicas sugerem que também devam ser incluídos outros achados clínicos e laboratoriais para detecção da síndrome, como o IMC (índice de massa corporal) e nível de excreção urinária de albumina (microalbuminúria). Recentemente, níveis sanguíneos de ácido úrico, proteína C reativa e homocisteína, e mesmo de insulina de jejum, têm sido apontados como bons marcadores da síndrome em alguns estudos.

É possível evitar os malefícios da síndrome metabólica?

É importante salientar que boa parcela dos distúrbios clínicos que oferecem grande risco cardiovascular são modificáveis, propiciando a chance de reduzir de forma importante os malefícios da síndrome metabólica. A redução do peso corporal, a atividade física regular e, quando prescrito por um médico, medicações para controle do colesterol, da pressão arterial e das taxas de glicose são indicados nesses casos.

Fonte: Fleury Medicina e Saúde