A hipertermia maligna (HM) obedece a padrão de herança autossômico dominante. Existem diferentes genes envolvidos na sua patogênese, mas cerca de 70-80% dos casos são decorrentes de mutações no gene RYR1, que codifica um canal de cálcio do músculo esquelético, também chamado de receptor rianodina. Quando há mutação, a função do receptor rianodina fica alterada e leva à liberação excessiva e contínua de cálcio, do retículo endoplasmático para o interior da fibra muscular. O estudo molecular é de grande importância no diagnóstico e pode auxiliar na identificação dos indivíduos potencialmente em risco em famílias com afetados por HM.

Mutações neste gene também estão associadas à miopatia congênita dos tipos Central Core e Multiminicore, desproporção congênita de tipos de fibras, miopatia centronuclear, síndrome de King-Denborough e miopatia nemalínica.

A HM é uma afecção hereditária, caracterizada por resposta hipermetabólica aos anestésicos voláteis, tais como o halotano, enflurano, isoflurano, sevoflurano e desflurano (e provavelmente succinilcolina). A expressão clínica da HM é variável. Ela surge a qualquer momento durante a anestesia e até 3 horas após a interrupção da exposição ao agente desencadeante. Esta condição é expressa por rigidez muscular, aumento do consumo de oxigênio e produção de CO2, acidemia respiratória e metabólica, taquicardia, taquipneia, hiperpotassemia, rabdomiólise e mioglubinúria. Nem sempre a hipertermia é a manifestação inicial ou proeminente da HM. A incidência média da HM é de um em cada 50.000 anestesias, sendo mais frequente em crianças (1/10.000 anestesias) e varia nas diferentes populações estudadas.

Fonte: Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco