Sorrateira e persistente, ela é uma das mais agressivas doenças sexualmente transmissíveis. Principal causa evitável de cegueira, também está associada a doenças do coração. Para desenvolver vacinas e tratamentos contra a bactéria, os pesquisadores tentam decifrar suas estratégias de sobrevivência e disseminação no organismo.

Boa parte da população ocidental sabe que a clamídia é uma das doenças sexualmente transmissíveis (DST) mais comuns. A palavra que a designa, porém, é um termo mais amplo, e se refere a um gênero de bactérias causadoras de uma série de doenças graves. Um africano, se questionado sobre a clamídia, provavelmente dirá que moscas transmitem essa infecção a crianças, causando conjuntivite. Essa doença - provocada por uma linhagem de Chlamydia trachomatis (a mesma espécie que causa as DSTs) - pode levar ao tracoma e posteriormente à cegueira.

Nos países industrializados, uma espécie transmitida pelo ar, C. pneumoniae, causa resfriado, bronquite e cerca de 10% dos casos de pneumonia adquirida fora do ambiente hospitalar. Os pesquisadores têm tentado associar a C. pneumoniae à aterosclerose, estreitamento dos vasos sangüíneos que leva a ataques cardíacos e derrames cerebrais.

Como as clamídias são bactérias, antibióticos são capazes de impedir o desenvolvimento das infecções produzidas por elas. Infelizmente, porém, as doenças causadas por elas muitas vezes não são detectadas e não são tratadas. As infecções genitais, por exemplo, raramente produzem sintomas logo no início. Nos países em desenvolvimento, onde o tracoma é preocupante, as pessoas freqüentemente não têm acesso a tratamento nem higiene adequados. Muitas das cerca de 600 milhões de pessoas infectadas com uma ou mais linhagens de Chlamydia não recebem os cuidados médicos necessários antes de as conseqüências se tornarem irreversíveis.

É inviável esperar que os médicos consigam identificar todos os indivíduos que apresentam algum tipo de DST ou que uma melhora nas condições de higiene elimine as bactérias causadoras do tracoma nos países pobres. Por essas razões, a maior esperança para impedir a disseminação dessas doenças ainda é o desenvolvimento de uma vacina eficaz ou tratamentos preventivos. Para que possam descobrir os agentes capazes de bloquear as infecções antes que estas se iniciem, os cientistas precisam saber mais sobre como a clamídia se replica, como provoca a doença e como funciona em nível molecular. Esse tipo de informação, até o momento, tem sido difícil de obter. Esses micróbios são muito "espertos". Além de usar estratégias variadas para escapar do sistema imunológico do hospedeiro, também são notoriamente difíceis de estudar em laboratório. Nos últimos cinco anos, porém, novas pesquisas - incluindo o seqüenciamento dos genomas de diversas linhagens de clamídia - têm ajudado os cientistas a lidar com esses empecilhos.

Fonte: Uol

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