A resposta à estimulação simpática está aumentada no hipertiroidismo em relação à freqüência e força de contração cardíaca à lipólise e à glicogenólise hepática. Tais respostas são devidas não apenas a aumento na quantidade de receptores beta, mas também a um melhor acoplamento do receptor externo ao sítio catalítico intracelular no complexo da adenil-ciclase. No feto, os receptores para T3 e a atividade da iodotironina desiodinase (que converte T4 em T3) estão aumentados, o que garante elevada atividade hormonal nesta etapa crítica do desenvolvimento. Tais ações são potencializadas pela menor atividade da deiodinase cerebral (que degrada T3). Em adultos e crianças, o hormônio tiroidiano atua no sentido de despertar a vigília, eleva o estado de alerta, a resposta a vários estímulos sobre o sistema nervoso central, tais como à fome. A capacidade de memorização e de aprendizagem aumenta em resposta à elevação dos níveis de T3 O desacoplamento da cadeia respiratória é um fato comum, produzido por diversas substâncias, algumas delas semelhantes ao hormônio tiroidiano. Uma das mais estudadas é a dinitro-para-fenol, mas vários análogos da tirosina foram estudados em relação a esse efeito. Tais compostos podem desacoplar a cadeia respiratória mesmo quando não possuem atividade biológica hormonal. O desacoplamento é produzido pelos anéis aromáticos da tirosina, sendo esta a característica comum a todos os agentes desacopladores até o momento estudado. Na vigência de hipertiroidismo, não só aumenta a quantidade de bombas na superfície celular, como também há maior gasto de ATP para realizar o mesmo trabalho. A queda na eficiência desta ATPase de membrana termina por consumir maio quantidade de ATP para manter o interior da célula livre do Na+.

1.4.12 Regulação da Função Tiroidiana: Toda a hormonogênese tiroidiana somente é possível com integridade e com adequado estímulo de seu hormônio específico, a tireotrofina, tireotropina ou hormônio tireotrófico (TSH), produzido nas células basófilas (tirótrofos) da hipófise anterior. Sem o estímulo do TSH, como ocorre nos hipofisectomisados, a tireóide atrofia e o indivíduo entram num quadro de hipotiroidismo. O TSH estimula todas as etapas da síntese de hormônio tiroidiano, bem como sua liberação, ativando receptores de membrana que aumentam o teor intracelular de AMP cíclico (ativação da adenil-ciclase). Na circulação, o TSH se encontra ligado às proteínas plasmáticas. Esse hormônio mantém a estrutura, regula a função da tireoide e a secreção de seus hormônios. Contém hexoses, hexosaminas e ácido siálico, sendo formada por duas cadeias polipeptídicas chamadas alfa- TSH e beta-TSH. O TSH aumenta de imediato a pinocitose do coloide e oxidação de glicose, sobretudo pela via da pentose-fosfato. A seguir, aceleram-se a síntese de tireoglobulina e o ritmo de captação de iodetos. Por fim, há aumento do tamanho das células foliculares, redução na quantidade de coloide e menor fluxo sanguíneo pela tireoide.

1.5 O Feedback Hipotálamo-Hipófise-Tiroidiano: Os hormônios tireóideos inibem a secreção de TSH quer agindo diretamente sobre a hipófise anterior, que sobre o hipotálamo. Toda vez que o teor plasmático de T3 T4 diminui, a hipófise é estimulada a, diretamente (e indiretamente pelo TRH), a liberar mais TSH, o que por sua vez estimula a função tireóidea. O oposto ocorre, quando se elevam as concentrações de T3 e T4 livres. O mecanismo pelo qual o hormônio tiroidiano inibe a síntese e secreção de TSH inclui captação de tiroxina (T4)com sua posterior conversão em T3 pela iodotironina 5’desiodinase, seguida de ligação com o receptor nuclear e redução na transcrição dos genes que codificam a síntese tanto de TSH quanto do receptor do TRH hipotalâmico. Há evidências que sugerem pouca participação do neurônio secretório hipotalâmico no feedback que regula a liberação de TSH; parece que todo o controle ocorre ao nível da célula tireotrófica hipofisária. A atividade inibitória do hormônio tiroidiano sobre o eixo hipotálamo-hipofisário é mediada por uma proteína cuja síntese é induzida pela ligação do hormônio com seu receptor específico dentro do núcleo da célula tireotrópica.

1.5.1 O Papel do Hipotálamo: O TRH (hormônio hipotalâmico liberador de TSH) quimicamente corresponde ao piroglutamil-histidilprolinamida e é secretado por neurônios especializados nisso na primeira capilarização do sistema porta-hipofisário, onde atinge concentrações relativamente elevadas em função do pequeno volume de sangue aí contido. Após navegar pelo pedúnculo, o TRH atinge a segunda capitalização, onde estimula a síntese e a liberação de TSH (hormônio estimulante da tireoide). O TRH é sintetizado por neurônios dos núcleos supra-óptico e paraventricular, os mesmos que sintetizam ADH e oxitocina. Diferentemente destes, que são transportados por via axônica até a neuro-hipófise, o TRH é lançado na primeira capilarização do sistema porta hipofisário, ao nível da eminência média. Daqui, o TRH atinge a adeno-hipófise, por via sanguínea. Células tireotrófas e lactotrofas contêm receptores de membrana específicos para o TRH, que induz aumento no teor de AMP cíclico intracelular. O resultado é aumento na síntese de TSH. A presença de receptores para TRH em células lactotrofas da hipófise sugere um papel do tripeptídeo na secreção de prolactina. De fato, numa base maior, o TSH é tão ativo para estimular a liberação de prolactina quanto para produzir a de TSH. O TRH é também um neurotransmissor cerebral, tendo sido identificado também na medula espinhal. A infusão de TRH causa secreção de GH, mas somente em nefropatas ou portadores de acromegalia. Além dos hormônios T4 e T3, a somatostatina regula o nível de TSH. O iodo representa outro fator na regulação da função tiroidiana. Trata-se de glicoproteína produzida numa quantidade em torno de 100 µg/dia, com meia vida em torno de 1 hora e que é eliminada principalmente ao nível do rim. O TSH é uma glicoproteína, com PM 28000. A cadeia alfa-TSH é muito semelhante, talvez idêntica, à do LH (hormônio luteinizante). A cadeia beta- TSH é que confere a especificidade biológica. A interrelação do hipotálamo, hipófise anterior e tireoide constitui um mecanismo de retroalimentação (feedback) que controla a função tiroidiana mantendo constantes os níveis plasmáticos de hormônio tiroidiano. De fato, os hormônios tiroidianos não parecem afetar diretamente a secreção hipotalâmica do tripeptídeo TRH, mas diminuem a quantidade de receptores hipofisários ao TRH; desse modo, a responsividade da hipófise ao TRH flutua em função do nível do hormônio tiroidiano. No soro de pacientes com hipertiroidismo foi isolada uma substância estimulante da tireoide, de ação lenta e prolongada, denominada "estimulador tireoidiano de ação prolongada" ou tireotrofina de ação prolongada. Esta é um anticorpo dirigido contra os receptores de TSH no nível da tireoide, dotado de atividade intrínseca, ou seja, capaz de aumentar os níveis de AMP cíclico. A secreção de TSH obedece a um padrão circadiano. O TSH é secretado de modo pulsátil, com flutuações características a cada 1 a 2 horas. A secreção do TSH exibe um padrão circadiano, em que sua concentração é mínima às 3 horas da manhã e máxima em torno das 15 horas. Uma variação circadiana típica é caracterizada por uma elevação noturna que antecede o início do sono. Se o início do sono é retardado, a elevação noturna fica maior e mais prolongada, enquanto que o sono precoce determina uma elevação menor e de duração curta.

1.6 A Córtex da Glândula Adrenal: As duas glândulas adrenais, cada uma delas pesando cerca de 4 g, ficam nos pólos superiores dos rins. Cada glândula é composta por duas partes distintas: a medula adrenal e o córtex adrenal. A medula adrenal, os 20% centrais da glândula, está funcionalmente relacionada com o sistema nervoso simpático; secreta os hormônios adrenalina e noradrenalina em resposta à estimulação simpática. Por sua vez, estes hormônios causam quase os mesmos efeitos que a estimulação direta dos nervos simpáticos em todas as partes do corpo. O córtex adrenal secreta um grupo inteiramente diferente de hormônios, chamados de corticosteroides. Estes hormônios são todos sintetizados a partir do esteroide colesterol e têm fórmulas químicas semelhantes. No entanto, pequenas diferenças em suas estruturas moleculares Ihes dão várias funções muito diferentes, porém muito importantes. Dois tipos principais de hormônios adrenocorticais, os mineralocorticóides e os glicocorticoides, são secretados pelo córtex adrenal. Além destes, são secretadas pequenas quantidades de hormônios sexuais, sobretudo hormônios androgênicos, que exibem no corpo aproximadamente os mesmos efeitos do hormônio sexual masculino testosterona.

1.6.1 Química Fundamental: Todos os hormônios adrenocorticais são compostos esteroides. São formados, sobretudo a partir do colesterol absorvido diretamente do sangue circulante por endocitose através da membrana celular. Esta membrana tem receptores específicos para as lipoproteínas de baixa densidade que contêm altas concentrações de colesterol, e a fixação destas lipoproteínas à membrana promove o processo de endocitose. Pequenas quantidades de colesterol também são sintetizadas dentro das células corticais a partir de acetil- coenzima A; também esta pode ser usada para formar os hormônios adrenocorticais. Essencialmente todas as principais etapas ocorrem em duas das organelas da célula, as mitocôndrias e o retículo endoplasmático algumas etapas ocorrendo numa dessas organelas e algumas na outra. Cada etapa é catalisada por um sistema enzimático especifico. Mesmo uma alteração numa única enzima do esquema pode causar a formação de tipos bastante diferentes e proporções relativas diferentes de hormônios formados, como quantidades especialmente grandes de hormônios sexuais masculinizantes, feminilizantes, mineralocorticoides ou glicocorticoides ou uma combinação deles.

1.6.2 Relação Estrutura-Função: É o átomo de oxigênio ligado ao carbono 18 do núcleo do colesterol que é o mais importante ao fornecer a atividade mineralocorticoide da aldosterona. A atividade glicocorticoide do cortisol é causada principalmente pela presença do ceto-oxigênio no carbono 3 e pela hidroxilação dos carbonos 11 e 21.

1.6.3 Principais Corticosteroides: Mais de 50 diferentes esteroides foram identificados no córtex adrenal; um número significativo de esteroides foi introduzido como medicamentos pela indústria farmacêutica. Os mais importantes dos hormônios adrenocorticais, inclusive os sintéticos, são os seguintes: Mineralocorticoides: Aldosterona (muito potente, perfazendo cerca de 90% de toda a atividade mineralocorticoide); Desoxicorticosterona ou DOCA (tem 1/15 da potência da aldosterona, mas é secretada em quantidades muito pequenas); Corticosterona (discreta atividade mineralocorticoide); Fluorocortisol (sintético ligeiramente mais potente que a aldosterona)
Cortisol (atividade mineralocorticoide muito pequena, mas é secretado em grande quantidade); Cortisona (sintética, pequena atividade mineralocorticoide); Glicocorticoides; Cortisol (muito potente, responsável por 95% de toda a atividade glicocorticoide); Corticosterona (fornece cerca de 4% da atividade glicocorticoide total, mas é muito menos potente que o cortisol); Cortisona (sintética, quase tão potente quanto o cortisol); Prednisona (sintética, quatro vezes mais potente que o cortisol), Metilprednisona (sintética, cinco vezes mais potente que o cortisol); Dexametasona (sintética, inúmeras vezes mais potente que o cortisol)

1.6.4 Transporte Hormonal: O cortisol combina-se no sangue, sobretudo com uma globulina chamada de globulina fixadora do cortisol ou transcortina (CBG) e, em menor extensão, com albumina. Por outro lado, a aldosterona combina-se apenas frouxamente com as proteínas plasmáticas, de modo que cerca de 50% estão na forma livre. Tanto na forma combinada quanto na livre, os hormônios são transportados pelo compartimento do liquido extracelular. Em geral, os hormônios são fixados nos tecidos-alvo ou destruídos dentro de 1 ou 2 h no caso do cortisol, ou dentro de cerca de 30 min no caso da aldosterona. Os esteroides adrenais são degradados, sobretudo no fígado e conjugados especialmente para formar glicuronídeos e, em menor extensão, sulfatos. Cerca de 25% destes são excretados na bile e, depois, nas fezes, e os 75% restantes, na urina. As formas conjugadas desses hormônios são inativas. Os mineralocorticoides ganharam este nome porque afetam especialmente os eletrólitos (sais "minerais") dos líquidos extracelulares, sódio e potássio, em particular. Os glicocorticoides ganharam seu nome porque exibem um efeito importante aumentando a concentração de glicose sanguínea. Têm efeitos adicionais sobre o metabolismo proteico e dos lipídios, que são tão importantes para o funcionamento do corpo quanto seus efeitos sobre o metabolismo dos carboidratos, se não forem ainda mais importantes. Mais de 50 esteroides foram isolados do córtex adrenal, mas apenas dois são de excepcional importância para a função endócrina normal do corpo humano: a aldosterona, que é o principal mineralocorticoide, e o cortisol, que é o principal glicocorticoide. O córtex adrenal é composto por três camadas relativamente distintas. A aldosterona é secretada pela zona glomerulosa, a delgada camada mais externa de células na superfície. O cortisol e vários outros glicocorticoides são secretados tanto pela zona fasciculada, a camada média, quanto pela zona reticular, a camada profunda. Os androgênios adrenais também são secretados por ambas estas camadas. As condições que aumentam a produção de aldosterona causam hipertrofia da zona glomerulosa, ao passo que não têm efeito sobre as duas outras zonas. Por outro lado, os fatores que causam secreção aumentada de cortisol e androgênios adrenais causam hipertrofia da zona fasciculada e da zona reticular enquanto têm pouco ou nenhum efeito sobre a zona glomerulosa. Além da aldosterona e do cortisol, que são, respectivamente, os principais hormônios mineralocorticoides e glicocorticóides, outros esteroides tendo uma ou ambas estas atividades são secretados em pequenas quantidades pelo córtex adrenal. Vários hormônios esteroides adicionais potentes que não são normalmente formados nas glândulas adrenais foram sintetizados e têm emprego em várias formas de terapia. A partir desta lista fica claro que alguns desses hormônios têm tanto atividade mineralocorticoide quanto glicocorticoide. É especialmente significativo que o cortisol tenha uma pequena quantidade de atividade mineralocorticoide porque algumas síndromes de secreção excessiva de cortisol podem causar efeitos mineralocorticoides importantes. Juntamente com seus efeitos glicocorticoides muito mais potentes. A intensa atividade glicocorticoide do hormônio sintético Dexametasona, que tem atividade mineralocorticoide quase zero, faz com que esta seja uma droga especialmente importante para estimular a atividade glicocorticoide específica. Cerca de 94% são normalmente transportados na forma fixada e cerca de 6% na forma livre. A concentração normal de aldosterona no sangue é cerca de 6 ng/dl (seis bilionésimos de 1 g) e a taxa de secreção é de 150 a 250 pg/dia. A concentração do cortisol no sangue é, em média de 12 ng/ dl, com secreção média de 15 a 20 mg/dia.

ALDOSTERONA - A perda total da secreção adrenocortical geralmente causa a morte dentro de três dias a duas semanas, a não ser que a pessoa receba extensa terapia de sal ou injeção de mineralocorticoides. Sem mineralocorticoides, a concentração do íon potássio do líquido extracelular sobe acentuadamente, as concentrações de sódio e cloreto diminuem e o volume do líquido extracelular total e o do sangue tornam-se muito reduzidos. A pessoa logo desenvolve débito cardíaco diminuído, que prossegue para um estado semelhante ao choque seguido pela morte. Toda esta seqüência pode ser impedida pela administração de aldosterona ou de algum outro mineralocorticoide. De longe, a função mais importante da aldosterona é promover o transporte de sódio e de potássio através das paredes tubulares renais; uma função menos importante é promover o transporte de íons hidrogênio. A aldosterona causa aumento do transporte e da troca de sódio e potássio - isto é, absorção de sódio e excreção simultânea de potássio pelas células epiteliais tubulares, especialmente no túbulo coletor, no túbulo distal e no ducto coletor. Uma alta concentração de aldosterona no plasma pode diminuir a perda de sódio na urina a uma quantidade muito pequena, de alguns miliequivalentes por dia. Ao mesmo tempo, a perda de potássio na urina aumenta muitas vezes. Inversamente, a falta total da secreção de aldosterona pode causar a perda de 10 a 20 g de sódio na urina por dia, uma quantidade igual a 1/10 a um quinto de todo o sódio do corpo. Ao mesmo tempo, o potássio é conservado tenazmente no líquido extracelular. Apesar de a aldosterona ter um efeito potente na diminuição da taxa de excreção do íon sódio pelos rins, a concentração de sódio no líquido extracelular sobe muito pouco. A razão disto é que, quando é reabsorvido sódio pelos túbulos, há uma absorção osmótica simultânea de quantidades quase equivalentes de água. Portanto, o volume do líquido extracelular aumenta quase tanto quanto o sódio retido, mas sem muita alteração na concentração do sódio. O aumento da pressão arterial então causa uma excreção muito aumentada de água e sal, que é o fenômeno chamado de diurese de pressão. Assim, de uma maneira indireta, depois que o volume do líquido extracelular tiver aumentado cerca de 5 a 15% acima do normal, em resposta aos excessos de aldosterona, a pressão arterial também aumenta cerca de 15 a 25 mmHg, e esta hipertensão (pressão sanguínea alta) faz a excreção de água e sal renal voltar ao normal, apesar do excesso de aldosterona. Inversamente, quando a secreção de aldosterona se torna zero, grandes quantidades de sal são perdidas na urina, não apenas diminuindo a quantidade de cloreto de sódio no líquido extracelular, mas também diminuindo o volume do líquido extracelular. O resultado é uma grave desidratação do líquido extracelular e baixo volume sanguíneo, levando à hipotensão arterial ou mesmo ao choque circulatório. A perda excessiva de íons potássio a partir do líquido extracelular para a urina, sob a influência do excesso de aldosterona, causa uma séria diminuição da concentração do potássio plasmático, com freqüência do valor normal de 3,5 a 5,1 mEq/1 para 1 a 2 mEq/l.

1.7 Hipocalemia: Quando a concentração do íon potássio cai abaixo de cerca da metade até um terço do normal, desenvolve-se freqüentemente grave fraqueza muscular. Esta é causada pela alteração da excitabilidade elétrica dos nervos e das membranas das fibras musculares, que impede a transmissão dos potenciais de ação normais. Quando sobe 60 a 100% acima do normal, torna-se evidente a toxicidade cardíaca séria, inclusive com fraqueza da contração do coração e desenvolvimento de arritmia; concentrações progressivamente mais altas de potássio levam inevitavelmente à parada cardíaca. Apesar de a aldosterona causar sobretudo a excreção do potássio para dentro dos túbulos em troca da reabsorção de sódio, em muito menor extensão causa a secreção tubular de íons de hidrogênio em troca de sódio.

1.7.1 Outros Efeitos: A aldosterona tem quase os mesmos efeitos sobre as glândulas sudoríparas e glândulas salivares que tem sobre os túbulos renais. Ambas estas glândulas formam uma secreção primária contendo grandes quantidades de cloreto de sódio, mas muito do cloreto de sódio é reabsorvido ao passar através dos ductos excretores, enquanto os íons potássio e bicarbonato são secretados. A aldosterona aumenta muito a reabsorção de cloreto de sódio pelos ductos. A aldosterona também acentua muito a absorção de sódio pelos intestinos, especialmente no cólon, o que impede a perda de sódio nas fezes. Por outro lado, na ausência de aldosterona, a absorção do sódio pode ser fraca, levando à incapacidade de absorver cloreto e outros ânions e água também.

1.8 MECANISMOS CELULARES DA AÇÃO DA ALDOSTERONA: A sequência de eventos celulares que leva à reabsorção aumentada do sódio é: 1°= Devido à sua solubilidade lipídica, a aldosterona difunde-se prontamente para o interior das células epiteliais tubulares;
2° = No citoplasma das células tubulares, a aldosterona combinase com uma proteína receptora, que tem uma configuração estereomolecular que permite apenas a combinação com a aldosterona ou com um composto extremamente semelhante; 3°= O complexo aldosteronareceptor difunde-se para o núcleo, onde, após sofrer alterações adicionais, induz uma ou mais porções do DNA a formar RNAs mensageiros relacionados com o processo do transporte do sódio e do potássio; 4°= O RNA mensageiro causa a formação de proteínas específicas. As proteínas formadas são uma mistura de (1) enzimas e (2) proteínas transportadoras de membrana que, atuando todas juntas, são necessárias para o transporte de sódio, potássio e hidrogênio através da membrana celular. Assim, a aldosterona não tem um efeito imediato sobre o transporte do sódio, mas tem que aguardar a seqüência de eventos responsável pela formação da substancia ou substancias necessárias para o transporte do sódio. Cerca de 30 min são necessários antes que apareça novo RNA nas células, e cerca de 45 min antes que a taxa de transporte de sódio comece a aumentar; o efeito atinge seu ponto máximo apenas depois de várias horas.

1.8.1 Regulação da Secreção da Aldosterona: A regulação da secreção da aldosterona é tão profundamente entrelaçada com a regulação da concentração dos eletrólitos no líquido extracelular, volume do líquido extracelular, volume sanguíneo, pressão arterial e muitos aspectos especiais da função renal, que não é possível discutir a regulação da secreção da aldosterona independentemente de todos esses outros fatores. A aldosterona é secretada pela zona glomerulosa, uma camada delgada de células localizada na superfície do córtex adrenal imediatamente abaixo da cápsula. São conhecidos quatro fatores que desempenham papéis essenciais na regulação da aldosterona. Na ordem provável de sua importância, são os seguintes: A concentração aumentada do íon potássio no líquido extracelular aumenta muito a secreção de aldosterona; A atividade aumentada do sistema renina-angiotensina também aumenta muito a secreção de aldosterona; A concentração aumentada do íon sódio no líquido extracelular diminui ligeiramente a secreção de aldosterona; O hormônio adrenocorticotrópico (ACTH) da glândula hipófise anterior é necessário para a secreção de aldosterona, mas tem pouco efeito no controle da taxa de secreção.

Dos fatores listados, a concentração do íon potássio e o sistema renina-angiotensina são de longe os mais potentes na regulação da secreção da aldosterona. A ativação do sistema renina-angiotensina, geralmente em resposta ao fluxo sanguíneo diminuído para os rins, pode causar um aumento de várias vezes na secreção de aldosterona. Por sua vez, a aldosterona atua sobre os rins: (a) para ajudar a excretar o excesso de íons potássio; (b) e para aumentar o volume sanguíneo e a pressão arterial, fazendo assim com que o sistema renina angiotensina volte em direção a seu nível normal de atividade. Estes mecanismos de controle por feedback são essenciais para a manutenção da vida. A aldosterona exerce cerca de 90% da atividade mineralocorticoide da secreção adrenocortical, mas o cortisol, o principal glicocorticoide secretado pelo córtex adrenal, também fornece uma quantidade significativa de atividade mineralocorticoide, sua atividade mineralocorticoide. Outros esteroides adrenais secretados em pequenas quantidades que têm efeitos mineralocorticoides são a Corticosterona que exerce, sobretudo efeitos glicocorticoides, mas alguns efeitos mineralocorticoides também, e a Desoxicorticosterona, que tem quase os mesmos efeitos que a aldosterona, porém com uma potência que é 1/50 da aldosterona. Portanto, a aldosterona faz com que o sódio seja conservado no líquido extracelular enquanto mais potássio é excretado para a urina. O efeito resultante final do excesso de aldosterona no plasma é aumentar a quantidade total de sódio no líquido extracelular enquanto diminui o potássio. Este aumento secundário da excreção de água e sal pelos rins como resultado de uma diurese de pressão é chamado de escape da aldosterona porque a taxa do ganho de sal e água pelo corpo dali em diante é zero. Enquanto isso, a pessoa desenvolveu hipertensão, que dura enquanto ela continuar exposta ao excesso de aldosterona. Sem tratamento imediato, isto geralmente causa a morte dentro de poucos dias após as glândulas adrenais cessarem subitamente de secretar aldosterona. Por outro lado, quando a aldosterona é deficiente, a concentração do íon potássio no líquido extracelular pode subir muito acima do normal. O efeito óbvio disto é diminuir a concentração do íon hidrogênio no líquido extracelular. Este efeito não é muito forte, geralmente causando apenas um grau moderado de alcalose. O efeito sobre as glândulas sudoríparas é importante para conservar o sal do corpo nos ambientes quentes, e o efeito sobre as glândulas salivares é necessário para conservar o sal quando quantidades excessivas de saliva são perdidas. O cloreto de sódio não absorvido e a água então levam à diarreia, com perda adicional de sal do corpo. Uma das enzimas especialmente aumentadas é a bomba de sódio e potássio nas membranas basolaterais das células tubulares renais. Outra proteína, talvez igualmente importante, é uma proteína de canal inserida na membrana luminal das mesmas células tubulares que permite a rápida difusão dos íons de sódio da luz tubular para dentro da célula; então o sódio é bombeado pelo resto do caminho pela bomba de sódio-potássio localizada nas membranas basolaterais da célula. Estas células funcionam quase inteiramente de modo independente das células mais profundas da zona reticular e da zona fasciculada, que secretam cortisol e androgênios. A regulação da secreção da aldosterona é quase inteiramente independente da regulação destes outros hormônios. Em contraste, os efeitos do íon sódio e do ACTH no controle da aldosterona são pequenos. Apesar disso, uma diminuição de 10 a 20% da concentração de íon sódio no líquido extracelular, pode dobrar a secreção de aldosterona. No caso do ACTH, se houver mesmo uma pequena quantidade de ACTH, esta é suficiente para permitir que as glândulas adrenais secretem aldosterona, mas a ausência total de ACTH pode reduzir significativamente a secreção de aldosterona.

Fonte: ebah