A maioria das hemotranfusões indicadas na prática clínica é precipitada e desnecessária. O conceito de que quando maiores o hematócrito e a hemoglobina melhor é a oxigenação tecidual não é necessariamente verdadeiro.

Uma hemoglobina superior a 10g/dl e um hematócrito superior a 30% são suficientes para otimizar a oxigenação tecidual mesmo nos pacientes com baixa reserva cardiopulmonar ou cerebral.

As indicações de hemotransfusão são feitas em três situações clínicas distintas:

  • Hemorragia aguda: O tratamento desse paciente baseia-se na reposição volêmica vigorosa com cristalóide. Perdas sanguineas acima de 30%, na maioria das vezes, merecem a reposição de concentrados de hemácias como parte de ressuscitação volêmica;
  • Pré e peroperatório: A indicação obrigatória de hemotransfusão no pré ou peroperatório é quando o hematócrito estiver abaixo de 21% ou hemoglobina abaixo de 7g/dl;
  • Anemia sem hemorragia: Nesse caso é necessário avaliar com cautela os seguintes pontos:

  • Qual a intensidade dos sinais e sintomas?
  • Paciente apresenta ICC, coronariopatia, DPOC, doença cerebrovascular?
  • A anemia do paciente tem tratamento específico?

Ou seja, se a anemia tem o tratamento especifico, os sinais e sintomas são toleráveis e não existe fator agravante (ICC, coronariopatia e etc.) para que tranfundir?

No entanto paciente com Hematócrito abaixo de 21% e hemoglobina abaixo de 7g/dl necessitam de hemotranfusão, pois são bastante sintomáticos.