Foi constatado que um gene normalmente silencioso, chamado Ciclina A2, ou CCNA2, pode ser induzido a combater a formação de tecidos lesionados em suínos que sofreram um ataque cardíaco. Esse tratamento não só levou à regeneração de células de seu músculo cardíaco, mas também melhorou o volume de sangue bombeado a cada contração. A descoberta foi divulgada na Science Translational Medicine em 19 de fevereiro.

Os autores esperam que, algum dia, a terapia gênica possa se unir a tratamentos com células-tronco para transformar a técnica utilizada atualmente por médicos para tratar da insuficiência cardíaca. Terapias baseadas em células-tronco já resultaram em mais tecido saudável e menos massa lesionada em ensaios clínicos humanos e em pequenas melhorias na quantidade de sangue que o coração consegue bombear de uma câmara para outra. Mas, como a Scientific American Brasil informou em maio de 2013 (Ed. 132, O Futuro da Medicina), ainda há muitas questões sobre quais células-tronco usar e como prepará-las.

Os pesquisadores replicaram suas descobertas em uma placa de Petri e observaram como as células musculares do coração de porcos adultos tratados com o mesmo regime de terapia gênica passam pela divisão celular completa. Eles demonstraram sob um microscópio como as células cardíacas foram se dividindo e expandindo com a terapia gênica. Essa nova abordagem "imita o tipo de regeneração que vemos nos peixes newt (da família Salamandridae) e peixes-zebras", explica Hina Chaudhry, principal autora e diretora de medicina regenerativa cardiovascular no Hospital Mount Sinai,em Nova York.

Se a técnica se mostrar favorável em humanos, ela poderia aumentar os índices de recuperação de pacientes ao ajudar a fortalecer os músculos do coração e melhorar o fluxo sanguíneo; dando, ao mesmo tempo, um impulso necessário à pesquisa de terapias gênicas, que tem avançado lentamente nos Estados Unidos.

Chaudhry diz que sua equipe está avançando com cautela e pretende ser cuidadosa ao ministrar esse tratamento em pessoas doentes. "Para pacientes que tiveram um ataque cardíaco agudo e que estão em risco de sofrer de insuficiência cardíaca, creio que a terapia será muito benéfica", comentou ela e acrescentou: "Se o ataque cardíaco for fraco, ela provavelmente não fará tanta diferença na sobrevivência em geral graças aos avanços dos atuais medicamentos". À medida que mais pesquisadores se voltam para a terapia genética para tratar de condições humanas antes intratáveis, um sucesso com os tratamentos de ataques cardíacos poderia agitar todo esse campo da medicina.

Fonte: SCientific Amercan Brasil