Cientistas descobriram uma nova cepa – a primeira em 40 anos – de Clostridium botulinum, a bactéria responsável por provocar o botulismo.

E apesar de terem relatado suas descobertas em um periódico científico, os pesquisadores deram o passo extraordinário de não publicar detalhes fundamentais da descoberta. Isso porque as toxinas produzidas pelo Clostridium botulinum são as mais perigosas conhecidas pela humanidade e atualmente não há antídoto para a toxina produzida pela nova cepa.

O medo é que organizações mal intencionadas ou governos isolados possam fazer engenharia reversa a partir das informações para produzir sua própria versão da nova bactéria e troná-la uma ameaça real e potente de bioterrorismo.

A toxina do Clostridium botulinum está no top da lista de armas biológicas temidas porque pequenas quantidades podem provocar paralisia fatal quando ingeridas ou inaladas pelas pessoas.

Sabe-se, ou suspeita-se, que essa toxina foi parte de programas de armas biológicas em países como a União Soviética, Irã, Iraque, Coreia do Norte e Síria, e que foi usada, felizmente de maneira inepta, em Tóquio no começo dos anos 90 pelo culto japonês Aum Shinrikyo, antes de seus membros se voltarem ao agente neurotóxico sarin.

Até agora havia sete cepas conhecidas da bactéria; as toxinas que elas produzem recebem letras de A a G. Existem antídotos para elas, mas cada antitoxina só neutraliza a toxina específica contra que é produzida, e nenhuma delas funciona contra a nova toxina, batizada de H.

Os autores da nova descoberta, cientistas do Departamento de Saúde Pública da Califórnia, decidiram não publicar os mapas genéticos da nova cepa e nem da toxina H. A bactéria foi isolada de um paciente que tinha desenvolvido botulismo e felizmente, não morreu.


Fonte: Scientific American Brasil