Um breve teste clínico sugere que células imunológicas geneticamente modificadas podem fazer regredir um tipo agressivo de leucemia. Os resultados do teste, feito em cinco pacientes com a forma aguda de leucemia linfoblástica, foram publicados em Science Translational Medicine, e representam o último sucesso de uma terapia ‘de fronteira’, em que um tipo de célula imunológica chamada de célula T é extraída de um paciente, modificada geneticamente, e então reinserida.

Nesse caso, as células T foram modificadas para expressar um receptor para uma proteína de outras células do sistema imune, como células B, encontradas em tecidos saudáveis e cancerosos.

Quando reintroduzidas nos pacientes, as células T modificadas rapidamente avançaram sobre seus alvos. "Todos os nossos pacientes rapidamente eliminaram o tumor", declara Michael Sadelain, pesquisador do Centro de Câncer Memorial Sloan-Kettering em Nova York, e um dos autores do estudo. O tratamento "funcionou muito mais rápido do que pensávamos".

A técnica já se mostrou promissora contra leucemia crônica, mas havia dúvidas a respeito de ela ser capaz de enfrentar a leucemia linfoblástica aguda, que cresce mais rápido, uma resistente doença que mata mais de 60% dos pacientes. Carl June, imunologista da University of Pennsylvania, na Filadélfia, e pioneiro na engenharia de células T para enfrentar o câncer, declara estar surpreso que o método tenha funcionado tão bem contra um câncer que cresce tão rápido. O próximo passo, de acordo com ele, é tirar a técnica da "butique" dos centros acadêmicos do câncer que a desenvolveram e levá-la a testes clínicos multicentrados.

"O que precisamos fazer é convencer oncologistas e biólogos do câncer de que essa nova imunoterapia pode funcionar", observa ele.

Fonte: Sientific American Brasil