Pessoas de meia idade com hipertensão, ou mesmo aquelas que ainda não apresentam pressão arterial alta o suficiente para preocupar os especialistas, apresentam envelhecimento precoce do cérebro. A descoberta foi publicada na edição online do Lancet de 2 de novembro. Para entender a relação, um professor de neurologia e diretor do Alzheimer's Disease Center, da University of California Davis, nos Estados Unidos, liderou uma equipe de especialistas.

Foram analisados dados de 579 pessoas que faziam parte do Framingham Heart Study, estudo que analisava as condições cardiovasculares dos participantes há mais de 60 anos. A nova pesquisa englobou a terceira geração de participantes que têm, em média, 30 anos. Todos tiveram a pressão arterial medida no início do estudo e foram divididos em três grupos: pressão arterial normal, pré-hipertensão e hipertensão. Foi observado ainda se os voluntários fumavam ou tomavam alguma medicação para a pressão. Por fim, todos foram submetidos a ressonâncias magnéticas do cérebro para avaliar lesões na massa branca ou cinzenta. Os resultados mostraram que os cérebros dos participantes que tinham pressão elevada estavam significativamente menos saudáveis do que os do grupo com pressão normal.

De acordo com os pesquisadores, o órgão aparentava estar mais envelhecido. Assim, o cérebro de uma pessoa de 33 anos que pertencia ao grupo com hipertensão era semelhante ao de uma pessoa de 40 anos do grupo com pressão normal. O estudo reforça a importância de controlar a pressão mesmo em estágio inicial. Por ser uma doença silenciosa, a hipertensão muitas vezes fica em segundo plano quando o assunto é saúde. Assim, recomenda-se fazer check-ups anualmente para evitar futuros problemas.

Fonte: Sociedade Brasileira de Hipertensão