A empresa de biotecnologia Amyris, com sede em Emeryville, na Califórnia, e o laboratório francês Sanofi desenvolveram um novo processo de síntese da artemisinina – substância usada no tratamento da malária –, que permitirá sua produção em larga escala e sem interrupção. A alteração genética de células de uma levedura fez com que ela conseguisse processar a artemisinina, ingrediente ativo obtido até agora apenas a partir da planta artemísia (Artemisia annua), de maneira eficaz, com altíssimo rendimento. A produção tradicional depende da colheita e extração do composto da planta, sujeita à sazonalidade e flutuações do preço de mercado, o que prejudicava o tratamento da doença, que mata anualmente 650 mil pessoas por ano em países pobres. O projeto teve como base um trabalho de biologia sintética conduzido pelo professor Jay Keasling na Universidade da Califórnia em Berkeley.

O processo industrial para produção da artemisinina semissintética consiste na produção do ácido artemisínico por meio de fermentação e sua transformação sintética por via fotoquímica. O novo sistema de síntese, aprovado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é feito em cerca de três meses, um quinto do tempo gasto pelo método convencional de origem apenas vegetal. A Sanofi anunciou que produzirá ainda este ano na fábrica de Garessio, na Itália, 60 milhões de doses da artemisinina, um terço da demanda mundial. Em 2014 a produção atingirá cerca de 80 a 150 milhões de doses. A pesquisa, que durou nove anos, foi financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates.

Fonte: Fapesp