País estuda a viabilidade econômica de mapeamento de parte do DNA de pacientes do SUS. Exame ajudaria no diagnóstico de doenças difíceis. Reino Unido já oferece o serviço, embora assunto seja polêmico. O Brasil estuda a viabilidade de oferecer o sequenciamento genético como uma alternativa para facilitar o diagnóstico de casos complicados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O argumento é que mapear parte do DNA seria mais rápido e mais efetivo que a série de exames atuais – e, por isso, mais barato. Alguns países, como o serviço público do Reino Unido, já usam o recurso.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi encarregada de fazer essa conta. A médica Iscia Lopes-Cendes, chefe do Departamento de Genética Médica e coordenadora do Laboratório de Genética Molecular da universidade chefia uma equipe multidisciplinar de 30 pesquisadores que quer descobrir o que sai mais barato: submeter o paciente a uma série de procedimentos tradicionais, de exames laboratoriais a tomografias computadorizadas, ou sequenciar o DNA para encontrar a causa de doenças de difícil diagnóstico.

O Brasil detém a tecnologia: pacientes privados já recorrem ao sequenciamento completo do exoma, uma parte do DNA onde estão as informações para a produção de proteínas vitais para o organismo. Rastrear essa parcela de 2% de toda a cadeia genética humana custa 1,7 mil reais – entre 70% e 80% das alterações conhecidas se encontram nessa fatia. Já o mapeamento do genoma inteiro de um indivíduo não sai por menos de 30 mil reais. O exame não tem qualquer relação com a prática forense de DNA para a determinação da paternidade, por exemplo."Nesse custo está embutido também o tempo", adianta a doutora. Segundo a pesquisadora, em algumas situações é possível chegar a um diagnóstico rápido e correto em um mês ou pouco mais.

Pelos métodos tradicionais, a pesquisa pode chegar aos mesmos resultados, mas demanda normalmente cinco anos de exames e incertezas. Para transformar essa situação em números precisos, a pesquisa vai usar dados coletados a partir de agora, mas também informações de pacientes que já passaram por um processo de investigação.

Fonte: DW